Em referência ao Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme, celebrado nesta sexta-feira (19), a Fundação Hemocentro de Brasília (FHB) fará a entrega oficial de novas carteirinhas de identificação para pacientes do Distrito Federal. O evento ocorrerá às 14h30, no Auditório do Hemocentro, reunindo usuários e familiares. Este documento funcionará como uma ferramenta de segurança clínica nas portas de urgência e emergência da rede pública de saúde.
A iniciativa reforça o papel da FHB como coordenadora da política de atenção integral a esse público no Distrito Federal. Nesta fase, foram confeccionadas 229 carteirinhas para usuários que atenderam aos requisitos institucionais. A distribuição acontecerá durante um encontro presencial, que incluirá dinâmicas conduzidas pelas equipes de enfermagem e psicologia da fundação.
“Pessoas com doença falciforme podem apresentar complicações agudas, exigindo intervenção precoce. A carteira ajuda as equipes a identificarem rapidamente a condição clínica e a adotarem as condutas apropriadas.”
Marcelo Jorge Carneiro, hematologista do Hemocentro de Brasília
O lançamento do documento complementa o esforço de integração da rede, iniciado na quarta-feira (17), quando o Hemocentro promoveu uma capacitação técnica. Gestores e profissionais de saúde da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) e do Hospital da Criança de Brasília (HCB) debateram estratégias para melhorar o acolhimento imediato desses pacientes nas emergências dos hospitais e das UPAs.
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Tecnologia e segurança no socorro imediato
A nova carteirinha inclui diretrizes específicas de classificação de risco e um QR code que direciona o médico a protocolos de urgência. A ferramenta visa apoiar as equipes de saúde na tomada de decisões rápidas durante episódios críticos.
O chefe da Unidade Técnica e hematologista do Hemocentro, Marcelo Jorge Carneiro, destaca que o documento foi elaborado para atenuar os impactos das intercorrências comuns da doença. “A carteira contribui para que as equipes identifiquem rapidamente a condição clínica e adotem condutas apropriadas,” explica o especialista.

“A carteirinha vai ajudar pessoas com doença falciforme a serem atendidas nas emergências, facilitando a verificação dos protocolos pelo QR code.”
Luana Carolina Martins, fonoaudióloga e coordenadora da Associação Brasiliense de Pessoas com Doença Falciforme
No DF, a assistência é descentralizada e gerida pela SES-DF, com diagnóstico precoce realizado no teste do pezinho. O HCB é referência para tratamento de crianças e adolescentes, enquanto adultos são acompanhados nos Núcleos de Hematologia e Hemoterapia dos hospitais regionais. O papel do Hemocentro inclui suporte transfusional especializado de sangue fenotipado.
O que é a doença falciforme
De origem genética, a doença falciforme altera o formato das hemácias, obstruindo os vasos sanguíneos e reduzindo o transporte de oxigênio. Isso gera crises de dor e vulnerabilidade a infecções. Atualmente, a Rede SES-DF tem mais de mil pacientes cadastrados. A confecção das carteirinhas foi realizada em parceria com a Associação Brasiliense de Pessoas com Doença Falciforme (Abradfal).
A fonoaudióloga Luana Carolina Martins, que convive com a condição e é uma das coordenadoras da Abradfal, recebeu sua carteirinha pioneira em um projeto-piloto em 2021. “A carteirinha vai ajudar as pessoas nas emergências, auxiliando a equipe médica a verificar os protocolos pelo QR code,” afirma.
Luana ainda ressalta a importância da adesão ao tratamento contínuo. “Com 47 anos, posso dizer que é possível viver bem com a doença, desde que se receba os cuidados adequados. Fica o convite para os pacientes não abandonarem os medicamentos e fazerem o autocuidado.”
*Com informações do Hemocentro

