Na abertura do Fest Drag 2026, a palestrante Rita von Hunty, inspirada no personagem do professor Guilherme Terreri, criticou as práticas do “capitalismo de plataforma”, que define as relações de trabalho nas plataformas digitais. O evento ocorreu no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em Brasília (DF) e reuniu um público majoritariamente formado por estudantes de ensino médio. O domingo (28) foi marcado pelo Dia do Orgulho LGBT.
Rita explicou que o capitalismo de plataforma é caracterizado pela ausência de direitos básicos, como horários de descanso e férias.
“O capitalismo de plataforma remonta ao primeiro momento de acumulação do capital. Esses trabalhadores não têm mais jornada ou local de trabalho”, lamentou.
A palestrante comparou a situação dos trabalhadores de aplicativos ao feudalismo, ressaltando que eles pagam para usar as ferramentas necessárias para o trabalho, inclusive a internet, o que resulta em uma nova classe de trabalhadores sem perspectivas.
“Eles estão pagando para trabalhar”.
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Redes sociais
Rita von Hunty também alertou que as redes sociais criam espaços limitados para discussão e reflexão, resultando em um aumento dos discursos de ódio. Segundo ela, isso diminuiu a capacidade de escuta e diálogo.
“Ou você curte ou você bloqueia. São os sentimentos antidemocráticos. Não há possibilidade de espaço democrático sem a possibilidade de escuta atenta, leitura aprofundada e dissenso.”
Ela observou que as redes sociais operam com enfoque em lucro e têm descoberto que a produção de sentimentos irracionais é a forma mais eficaz de gerar engajamento. “Quem viraliza mais facilmente na rede? Afetos irracionais”.
Além do trabalho, Rita destacou que a era da comunicação das plataformas resultou em discussões vazias de conteúdo político, com usuários erguendo inimigos imaginários.
“A gente só vai conseguir sair dessa mais ou menos ileso se a gente voltar a sustentar entre nós os espaços que fomentam debate, aprofundamento, dissenso, conversa e garantias de direitos para as minorias”.
Ela enfatizou a necessidade de recusar respostas fáceis e investir no pensamento crítico e em formas de afeto mais duradouras.
Jovens devem ser engajados
Em entrevista à Agência Brasil, Rita von Hunty defendeu o engajamento dos jovens na defesa da democracia, ressaltando, contudo, o aumento da violência, especialmente contra as mulheres, nas novas gerações. No entanto, ela vê esperança em movimentos de conscientização sobre os impactos da inteligência artificial e das mudanças climáticas.
Outra preocupação levantada foi em relação ao avanço das apostas esportivas. “Não há nenhum motivo para que as bets operem nesse país da forma que operam”, afirmou, alertando que estão prejudicando o patrimônio e o poder de compra das classes mais baixas.
A palestrante considerou que discutir democracia no Brasil atualmente é “otimismo”, especialmente diante das desigualdades e do genocídio da população preta.
Rita destacou a importância de combater todas as formas de opressão, incluindo machismo, misoginia, capacitismo e LGBTfobia, e mencionou seu trabalho como drag como parte desse combate. “O que eu almejo deixar de legado é o combate a esses discursos de destruição”.
Programação
O Fest Drag 2026, realizado pelo Distrito Drag, continua no CCBB Brasília durante o final de semana de forma gratuita, com apresentações de artistas como Sandra Sá, Majur e Lorena Simpson. A programação ainda inclui performances de Dacota Monteiro e Las Bibas, com classificação indicativa livre.
Confira a programação no site do evento.
Fonte: Agência Brasil

