Em 2025, mais de 36,4 milhões de pessoas cruzaram as fronteiras brasileiras, com um aumento de 15,6% em comparação a 2024, o maior número já registrado. Os dados foram divulgados pelo Observatório Nacional dos Direitos Humanos (ObservaDH) no Dia Nacional do Imigrante.
Essa movimentação inclui entradas e saídas do país de brasileiros e estrangeiros, como migrantes, residentes temporários e turistas. Segundo o ObservaDH, a maior parte desse fluxo está relacionada ao deslocamento de brasileiros e a atividades turísticas, mostrando que essa circulação vai além da imigração permanente.
Do total de movimentações, 17,2 milhões foram de brasileiros, seguidas por 14,7 milhões de turistas.
As outras categorias têm números bem menores: quase 2,4 milhões referem-se a trânsito, enquanto os registros de temporários e residentes somam pouco mais de 1 milhão cada um.
O ObservaDH aponta que o número reduzido de temporários e residentes, em comparação aos brasileiros e turistas, destaca que a maior parte da movimentação fronteiriça não é necessariamente migratória permanente, mas sim relacionada a viagens internacionais curtas e temporárias.
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Os dados são baseados em diversas fontes, incluindo o Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra)/DataMigra, o Sistema de Registro Nacional Migratório (SisMigra), e o Sistema de Tráfego Internacional (STI) da Polícia Federal.
Migrantes
O ObservaDH adicionou novas narrativas e painéis temáticos sobre migração, refúgio, apatridia e repatriação, apresentando dados sistematizados que norteiam a formulação de políticas públicas.
Os dados mostram a trajetória da entrada e do registro de migrantes no Brasil entre 2010 e 2025, além dos processos de regularização migratória.
A entrada de pessoas no Brasil pelos postos de controle migratório indicou que, a partir de 2021, os fluxos migratórios começaram a se recuperar após a queda em 2020, causada pela pandemia de Covid-19.
Em 2023, esse número alcançou um recorde de 190,5 mil pessoas. No ano seguinte, houve uma leve redução para 157,3 mil.
Os registros migratórios também mostraram ampliação na regularização e formalização da permanência de estrangeiros no país, com um total de 202.044 pessoas regularizadas em 2023. No ano passado, esse número foi de 199.646.
Refúgios
Os dados do Sistema de Tráfego Internacional (STI) mostram que o número de solicitações de refúgio foi relativamente baixo até o início dos anos 2010, com menos de 1 mil pedidos anuais.
Entre 2013 e 2015, houve um aumento nas solicitações, passando de 6.810 em 2013 para 15.906 em 2015, impulsionado por chegadas de haitianos, sírios e outros grupos afetados por crises humanitárias. O ápice ocorreu entre 2018 e 2019, com 79.831 pedidos em 2018 e 82.552 em 2019.
No ano passado, o Brasil recebeu 75,6 mil novos pedidos de reconhecimento da condição de refugiado, totalizando atualmente 165.774 pessoas reconhecidas como refugiadas. Desde 2010, o Brasil já registrou 551.072 solicitações dessa natureza.
A coordenadora-geral de Promoção dos Direitos das Pessoas Migrantes, Refugiadas e Apátridas do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Fernanda da Rosa Becker, destacou que o Brasil se afirma como um país acolhedor, com fluxos migratórios diversificados em nacionalidades, perfis e motivações.
“Esse cenário exige informações qualificadas para entender as transformações na mobilidade humana no país. As políticas migratórias devem ser tratadas como permanentes, o que requer monitoramento contínuo e flexibilidade frente às dinâmicas de migração e refúgio”.
De acordo com o Relatório Anual de Política Migratória no Brasil de 2025, do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), mais de 2 milhões de pessoas migrantes, refugiadas e solicitantes de refúgio compõem o atual cenário migratório brasileiro.
Fonte: Agência Brasil

