O ranking da liberdade de imprensa no mundo divulgado nesta quinta (30) pela organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras revela que a pontuação média de todos os países é a mais baixa dos últimos 25 anos.
De acordo com Artur Romeu, diretor da entidade para a América Latina, a liberdade de imprensa enfrentou uma queda significativa mesmo em estados democráticos.
No relatório, o Brasil se destaca como uma exceção, subindo 58 posições desde 2022. Contudo, a maioria dos países enfrenta um cenário adverso.
Romeu afirma que estados democráticos devem assegurar uma imprensa livre e plural para garantir informações de qualidade à sociedade.
Principais trechos da entrevista com Artur Romeu:
- Senado revoga norma sobre aborto legal para crianças vítimas de estupro
- Brasil registra 150 mil casos de agressões a pessoas em situação de rua na última década.
- Caso Henry: Monique Medeiros suspeita de ter sido dopada no dia do crime
- Marcha do Orgulho Trans em São Paulo é cancelada
- Marcha do Orgulho Trans em São Paulo é suspensa em 2026
Agência Brasil – Qual é a razão para a queda generalizada da liberdade de imprensa?
Artur Romeu – A pontuação média global é a mais baixa em 25 anos, mas isso não significa que houve uma queda drástica em um único ano. A análise mostra que a deterioração na liberdade de imprensa é uma tendência constante.
Este ano, alcançamos o número mais baixo da série histórica, refletindo a deterioração global das condições para o jornalismo.
Agência Brasil – Quais são os principais fatores envolvidos?
Artur Romeu – É uma combinação de crises. Observamos que a liberdade de imprensa está ameaçada em democracias, com práticas como assédio e hostilização crescendo. Essa percepção de jornalistas como inimigos públicos está se espalhando, aumentando a desinformação e dificultando a atuação dos profissionais.
Agência Brasil – Como a sociedade deve perceber a importância da liberdade de imprensa?
Artur Romeu – A liberdade de imprensa deve ser vista como um direito coletivo, essencial para que os cidadãos tenham acesso a informações confiáveis e independentes, necessárias para tomar decisões importantes em suas vidas. Este direito é vital para a participação na vida pública.
Agência Brasil – As Américas enfrentam cenários múltiplos e crises diversas, correto?
Artur Romeu – Sim, a situação no continente está em deterioração significativa. Países como Estados Unidos, Argentina, Peru e Equador apresentam cenários alarmantes. As declarações e ações de líderes, como Javier Milei da Argentina, que fechou agências de notícias, mostram essa tendência. O México é o país mais perigoso para jornalistas, com mais de 150 assassinatos desde 2010.
Agência Brasil – A Repórteres Sem Fronteiras oferece recomendações para reverter essa tendência de queda na liberdade de imprensa?
Artur Romeu – É crucial que haja uma valorização do trabalho jornalístico por parte dos governos. O ranking avalia as condições de liberdade de imprensa, nas quais os governos têm um papel fundamental.
As recomendações incluem não apenas a ausência de censura, mas a atuação proativa dos governos para criar um ambiente favorável ao jornalismo, com desenvolvimento de políticas públicas e regulação que fortaleçam essa liberdade.
Precisamos de novas legislações para regular plataformas e a inteligência artificial, além de mecanismos de proteção e leis que promovam um jornalismo plural e diverso.
Fonte: Agência Brasil

