A professora Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, declarou nesta terça-feira (2) que acredita ter sido dopada no dia do assassinato do menino, em março de 2021. Acusada no processo que julga o crime, ela prestou depoimento no nono dia do júri, no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). 
Monique e o então vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, são acusados pela morte da criança. Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), Jairinho torturava o enteado, enquanto Monique foi omissa em proteger o filho.
>> Júri do caso Henry Borel entra na reta final; entenda próximos passos
Durante o depoimento, a ré expressou que não acreditava que o padrasto de Henry seria capaz de fazer mal ao menino. Atualmente, ela diz acreditar que Jairinho pode ter sido o responsável pela morte.
“Pode ser muita burrice, mas em nenhum momento pensei que ele pudesse fazer qualquer tipo de agressão ao meu filho”, afirmou Monique, ao ser questionada pela juíza Elizabeth Machado Louro, presidente da sessão no 2º Tribunal do Júri.
🔥 LEIA TAMBÉM
- Brasil registra 150 mil casos de agressões a pessoas em situação de rua na última década.
- Marcha do Orgulho Trans em São Paulo é suspensa em 2026
- Marcha do Orgulho Trans em São Paulo é cancelada
- ONU exige do Brasil justiça e reparação pelos Crimes de Maio.
- Aumento de homicídios dolosos e estupros no estado de São Paulo
No início de seu depoimento, Monique descreveu a relação de Jairinho com ela e Henry como boa. Contudo, admitiu que o então namorado era ciumento e que, cerca de um mês após o início do relacionamento, ela sofreu uma tentativa de enforcamento por parte de Jairinho durante uma “crise de ciúme mais grave”.
O relacionamento iniciou em outubro, e em janeiro ela passou a morar com Jairinho. A ré contou que, no final de janeiro, Henry reclamou ao pai, Leniel Borel, que havia recebido “um abraço forte do tio”.
Esse episódio levou Leniel a conversar com o padrasto e pedir para que ele não repetisse o gesto. Monique mencionou que, a pedido de Leniel, começou a evitar que a criança ficasse sozinha com Jairinho.
>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
Banda e moca
Monique mencionou que um dia, mesmo estando em casa, Henry a procurou e comentou que Jairinho havia lhe dado uma banda (rasteira) e uma moca (soco na cabeça).
Ao cobrar explicações de Jairinho, ela disse que o então vereador negou e afirmou que era apenas uma brincadeira, segurando o menino para que ele não caísse. Segundo Monique, Jairinho ainda comentou que a mãe mimava demais a criança e que ele “viraria veadinho”.
Monique afirmou que Jairinho prometeu que esse comportamento não se repetiria. No entanto, segundo ela, esse evento gerou um distanciamento entre a criança e Jairinho.
Durante o depoimento, Monique chorou diversas vezes. Ela contestou a afirmação da babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, que alegou ter informado sobre uma agressão de Jairinho a Henry no dia 2 de fevereiro. No último domingo (31), a babá prestou depoimento no júri.
“Ela afirmou que contou no mesmo dia, isso é mentira! Se tivesse me avisado, eu nunca teria deixado os dois juntos”, afirmou no júri.
Conversa com a babá
Monique relatou sua versão sobre uma troca de mensagens de 12 de fevereiro com a babá, em que havia suspeitas de novas agressões de Jairinho. Ela se disse surpreendida ao saber que o namorado havia chegado em casa antes do previsto e afirmou ter evitado que ele ficasse sozinho com Henry.
Ao receber mensagens da babá informando que o menino estava no quarto com Jairinho, afirmou ter ficado “apavorada”, temendo que Jairinho pudesse estar rígido com a criança.
“Em nenhum momento pensei que meu filho havia sido agredido. Não queria que ele se comunicasse de forma rígida como Jairinho era”, declarou.
Em uma das mensagens, a babá disse que Henry havia saído do quarto e estava “bem”. Porém, em mensagens seguintes, informou que o menino reclamava de dores no joelho e na cabeça. Monique recebeu um vídeo do menino, mas não notou que ele mancava.
“Hoje, acredito que houve, sim, algo com meu filho dentro do quarto,” afirmou.
Em outra mensagem, a babá conta que o menino relatou que havia levado uma banda e um chute, e que foi instruído a não contar à mãe, sob a ameaça de Jairinho.
Após isso, Henry participou de uma chamada de vídeo com a mãe, informando que “o tio tinha brigado com ele” e que atrapalhava o relacionamento do casal.
Monique mencionou que antes de sair do shopping, comprou câmeras de vigilância para instalar no apartamento.
A professora afirmou que, no dia seguinte, ela e Jairinho levaram Henry ao hospital, onde foi feito um raio-x e não foi constatada nenhuma lesão no joelho.
Apagamento de mensagens
Durante outro momento do depoimento, Monique garantiu que não ordenou que a babá Thayná apagasse mensagens entre elas.
“Eu tenho prova de que não mandei ela apagar as mensagens. Por que eu faria isso, se tenho os prints no meu telefone?”, declarou no júri.
Segundo Monique, foi a família de Jairinho que deu a ordem para apagar as mensagens, citando que vários membros da família da babá eram empregados da família de Jairinho.
Dia da morte
Na madrugada de 8 de março de 2021, Monique contou que Henry estava dormindo no quarto do casal. Ela e Jairinho foram para outro quarto. Monique suspeita que o namorado a dopou, prática que alega já ter flagrado anteriormente.
Ela contou que Jairinho a acordou por volta das 3h40, dizendo que havia ouvido um barulho, e que ao entrar no quarto, encontrou o menino no chão e o recolocou na cama, enquanto repetia que Henry não estava respirando direito.
O casal foi ao hospital, onde Jairinho afirmou ter ouvido um barulho. No hospital, ela corroborou a versão do namorado, mas admitiu à juíza que não havia ouvido o barulho.
Sem marcas
Monique disse que, no hospital, começou “um pesadelo”, referindo-se a duas horas e meia de manobras de ressuscitação. A mãe descreveu que Henry chegou ao hospital com o corpo “branquinho”, sem marcas e lesões.
“Na minha cabeça, como não havia sinais de agressão, então só poderia ter sido uma queda da cama”, afirmou.
Durante o depoimento, Monique afirmou que não tinha conhecimento público de outras denúncias de agressões de crianças por parte de Jairinho na época.
Monique afirmou que, dias antes da prisão dela e de Jairinho, que ocorreu em 7 de abril de 2021, ela confrontou o ex-companheiro.
“Eu realmente dei alguns tapas no rosto dele e falei ‘você matou meu filho’. Ele, em resposta, pegou uma bíblia e jurou nunca ter encostado um dedo no meu filho,” declarou.
Monique atribuiu a Jairinho a responsabilidade pelo fato de os celulares do casal terem sido arremessados pela janela quando investigadores foram ao apartamento. “Eu estava dormindo,” disse.
Questionada pela juíza Elizabeth Machado Louro se Jairinho é responsável pela morte de Henry Borel, Monique respondeu: “acho que pode ter sido”. Ao negar que sabia das agressões, afirmou: “Se eu soubesse de algo, eu estaria aqui sendo julgada pela morte do Jairinho”.
Saiba mais no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil
Fonte: Agência Brasil

