O estado do Rio de Janeiro registrou pela primeira vez, desde o início da série histórica, em 2003, crescimento vegetativo negativo em um semestre. Isso significa que houve mais óbitos do que nascimentos em um semestre completo. A diferença entre nascimentos e óbitos, que era de 47.408 mil nascimentos a mais, em média, ficou negativa em 2.688 óbitos no primeiro semestre deste ano, ou seja, o Rio de Janeiro registrou mais mortes do que nascimentos no período.

Houve queda de 105,7% na variação em relação à média histórica. Na comparação com 2020, a queda foi de 119% e; em relação a 2019, de 107,2%.

Os dados constam no Portal da Transparência do Registro Civil (https://transparencia.registrocivil.org.br/inicio), base de dados que é abastecida diariamente, em tempo real, com as declarações de nascimento, casamento e óbito feitas nos cartórios de registro civil do país. O portal é administrado pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil). As informações são cruzadas com dados das Estatísticas do Registro Civil, elaboradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados dos próprios cartórios brasileiros.

Para o presidente da Arpen-RJ, Humberto Monteiro da Costa, o número de óbitos superior ao de nascimentos reflete os efeitos da pandemia de covid-19. “Deve ter acontecido porque, além do número de óbitos expressivo, continua a incerteza; as pessoas deixaram de planejar e de ter filhos. Isso acaba contribuindo também porque, além do número de óbitos ter sido expressivo, o número de nascimentos diminuiu”.

Registros

De acordo com a Arpen-RJ, nunca se morreu tanto e se nasceu tão pouco em um primeiro semestre no estado do Rio e no país como neste ano de 2021.

Os cartórios fluminenses registraram 99.104 óbitos até o fim do mês de junho, dos quais 57 mil foram em decorrência da covid-19. Além de ser o maior da história em um primeiro semestre, o número é 54,4% maior que a média histórica de óbitos no Rio de Janeiro e 13,1% maior que os ocorridos no ano passado, com a pandemia já instalada desde março no estado. Em relação a 2019, o aumento de mortes foi de 33,7%.

Em termos de Brasil, foram 956.534 óbitos até o final do mês de junho, sendo mais de mais de 525 mil mortos na pandemia. O número é o maior da história em um primeiro semestre e 67,7% maior que a média histórica de óbitos no país, 37,3% maior que os óbitos ocorridos no ano passado. Em relação a 2019, as mortes tiveram expansão de 52,8%.

O estado do Rio de Janeiro registrou o menor número de nascidos vivos em um primeiro semestre desde 2003. O portal revela que, até o fim do mês de junho, foram registrados 96.416 nascimentos, número 13,6% menor que a média de nascidos no território fluminense desde 2003, e 5,1% menor que em 2020. Na comparação com 2019, a queda no número de nascimentos foi de 13,1%.

Em nível Brasil, foi registrado o menor número de nascidos vivos em um primeiro semestre desde 2003. Até o final do mês de junho, foram registrados 1.325.394 nascimentos, número 10% inferior à média de nascidos no país desde o início da série histórica, e 0,09% menor que no ano passado. Com relação a 2019, o total de nascidos vivos teve redução de 8,6% no Brasil. A diminuição de nascimentos em comparação aos óbitos alcançou 41,4% sobre 2020 e 55,2% sobre 2019.

Natalidade

A série histórica do registro civil evidencia que o aumento no número de casamentos está diretamente ligado ao aumento da taxa de natalidade no Rio de Janeiro, o que deve fazer com que os nascimentos ainda demorem um pouco a ser retomados, já que no primeiro semestre de 2021 o estado registrou o quinto menor número de casamentos desde o início da série.

Embora 12,5% inferior à média histórica de casamentos no primeiro semestre no estado do Rio de Janeiro, foram celebrados até junho deste ano 31.715 casamentos civis, número 19,5% maior que os 26.549 realizados no ano passado, mas ainda 22% menor que os 40.635 celebrados em 2019. O total de casamentos celebrados mostrou pequena recuperação ante os realizados no ano passado, que sofreram impacto direto da chegada da pandemia ao país, que levou ao adiamento das cerimônias civis devido aos protocolos de saúde exigidos para contenção da doença.

O presidente da Arpen-RJ trabalha com a perspectiva de diminuição da diferença entre óbitos e nascimentos no segundo semestre deste ano, “ou que volte à normalidade, com a vacinação e a diminuição do número de casos de coronavirus”. Para o primeiro semestre de 2022, a expectativa é de maior número de nascimentos do que mortes. “Senão, a gente vai ter um decréscimo importante na população; em vez de aumentar, como vinha acontecendo, a população pode ter uma diminuição.”

Fonte: Agência Brasil