O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o julgamento que decidirá se empregados públicos de empresas públicas e sociedades de economias mistas devem ser aposentados compulsoriamente ao completarem 75 anos.
O caso começou a ser analisado no mês passado pelo plenário virtual da Corte, mas foi interrompido em 28 de abril, após o tribunal registrar maioria de votos a favor da aplicação da regra previdenciária. Não há prazo para a retomada do julgamento.
Apesar da maioria formada, divergências foram registradas em outros pontos discutidos durante o julgamento. Diante desse cenário, a Corte decidiu aguardar a indicação do décimo primeiro ministro para finalizar o julgamento. A vaga foi aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.
No mês passado, o advogado-geral da União, Jorge Messias, foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a vaga de Barroso, mas não teve o nome aprovado pelo Senado.
A Corte avalia a validade da Emenda Constitucional 103 de 2019, a reforma da previdência aprovada durante o governo de Jair Bolsonaro. A norma estabelece que empregados públicos que cumpriram o tempo mínimo de contribuição devem ser aposentados automaticamente ao completarem 75 anos.
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O tribunal também decidirá se a regra pode ser aplicada em casos anteriores à emenda e se gera direitos trabalhistas rescisórios.
O caso concreto que motiva o julgamento envolve uma empregada da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que teve seu contrato de trabalho rescindido ao completar 75 anos.
Votos
O ministro Gilmar Mendes, relator do caso, votou para reconhecer a validade da emenda constitucional e sugeriu a aplicação do entendimento a processos semelhantes que tramitam em todo o Judiciário.
Mendes também considerou que o desligamento não gera direito ao pagamento de verbas trabalhistas e deve ter aplicação imediata.
“Tratando-se de aposentadoria compulsória, e não espontânea, a inativação do empregado independe da manifestação de vontade dele ou do empregador, sendo o atingimento da idade limite juntamente com o tempo mínimo de contribuição condições suficientes para a sua inativação”, escreveu o ministro.
O voto do relator foi seguido pelos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Nunes Marques.
Em seguida, cinco ministros apresentaram divergências.
O ministro Flávio Dino validou a aposentadoria compulsória aos 75 anos, mas entendeu que o desligamento gera direito ao pagamento de verbas rescisórias, acompanhamento que teve o apoio de Dias Toffoli.
Edson Fachin argumentou que a regulamentação da aposentadoria compulsória deve ocorrer por meio de uma lei regulamentadora própria, entendimento seguido por Luiz Fux e André Mendonça.
Fonte: Agência Brasil

