A queda nas exportações de café e o aumento na importação de veículos resultaram no superávit mais baixo para março em seis anos, conforme divulgado nesta terça-feira (7) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). No mês passado, as exportações superaram as importações em US$ 6,405 bilhões.
Esse resultado representa uma queda de 17,2% em relação ao mesmo mês de 2025, quando o superávit foi de US$ 7,736 bilhões. Este superávit é o mais baixo para meses de março desde 2020, quando o resultado foi de US$ 4,046 bilhões, no início da pandemia de covid-19.
Os valores das exportações e importações foram os seguintes:
- Exportações: US$ 31,603 bilhões, alta de 10% em relação a março do ano passado;
- Importações: US$ 25,199 bilhões, alta de 20,1% na mesma comparação.
O valor das exportações é o segundo maior para meses de março desde o início da série histórica, perdendo apenas para março de 2023. As importações atingiram o maior valor desde 1989.
>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
- União Europeia implementa veto à carne brasileira a partir de setembro
- MTur lança linha de crédito para microempreendedoras afetadas pela violência
- Exportações do Brasil para os Estados Unidos têm queda de 14% em maio
- Receita aponta diferenças de R$ 44 bilhões em créditos de PIS/Cofins
- Governo expande acesso ao Plano Brasil Soberano
Setores
Na distribuição por setores da economia, as exportações em março variaram da seguinte forma:
- Agropecuária: +1,1%, com queda de 2% no volume e alta de 3% no preço médio;
- Indústria extrativa: +36,4%, impulsionada pelo petróleo, com alta de 36,4% no volume e de 0,2% no preço médio;
- Indústria de transformação: +5,4%, com alta de 4,2% no volume e de 1% no preço médio.
Produtos
Os principais produtos responsáveis pela alta das exportações em março foram:
- Agropecuária: animais vivos, exceto pescados ou crustáceos (+49,4%); algodão em bruto (+33,6%); e soja (+4,3%).
- Indústria extrativa: outros minerais brutos (+55,9%); outros minérios e concentrados de metais de base (+66,8%); e óleos brutos de petróleo (+70,4%);
- Indústria de transformação: carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (+29%); combustíveis (+30%); e ouro não monetário (excluindo minérios de ouro e concentrados) (+92,7%).
Apesar do crescimento das exportações agropecuárias, as vendas de café caíram significativamente em março. O Brasil vendeu US$ 437,1 milhões a menos que em março de 2025 (-30,5%), devido a uma redução de 31% na quantidade exportada, causada por diferenças em cronogramas de embarque.
Relativo ao petróleo bruto, a alta nas exportações foi de US$ 1,971 bilhão em comparação a março de 2025, embora a expectativa seja de queda nos próximos meses devido a uma alíquota temporária de 12% de Imposto de Exportação sobre petróleo, implementada para conter a alta dos combustíveis após o início da guerra no Oriente Médio.
Importações
A elevação nas importações está principalmente ligada aos veículos, cuja compra do exterior aumentou US$ 755,7 milhões em março em relação ao mesmo mês de 2025. Os principais produtos nessa categoria foram:
- Agropecuária: pescados (+28,9%); frutas e nozes não oleaginosas (+26,6%); e soja (+782%);
- Indústria extrativa: minérios e concentrados de metais de base (+33,7%); carvão não aglomerado (+59,9%); e óleos brutos de petróleo (+19,4%);
- Indústria de transformação: outros medicamentos, incluindo veterinários (+72,2%); adubos ou fertilizantes químicos (+61%); e automóveis de passageiros (+204,2%).
Acumulado
Nos três primeiros meses do ano, a balança comercial registra um superávit de US$ 14,175 bilhões, um aumento de 47,6% em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionado pela importação de uma plataforma de petróleo em fevereiro de 2025, o que não se repetiu em 2026.
A composição do acumulado foi a seguinte:
- Exportações: US$ 82,338 bilhões, alta de 7,1% em comparação ao mesmo período do ano passado;
- Importações: US$ 68,163 bilhões, alta de 1,3% na mesma comparação.
O superávit acumulado é o terceiro maior da série histórica, perdendo apenas para os primeiros trimestres de 2024 e 2023.
Projeções
O Mdic atualizou as suas estimativas para a balança comercial em 2026, prevendo um superávit de US$ 72,1 bilhões, um aumento de 5,9% em relação ao resultado de US$ 68,1 bilhões de 2025. Anteriormente, o ministério havia estimado um superávit entre US$ 70 bilhões a US$ 90 bilhões para este ano.
Segundo o Mdic, as exportações devem alcançar US$ 364,2 bilhões, com uma alta de 4,6% em relação a 2025, enquanto as importações deverão somar US$ 280,2 bilhões, aumento de 4,2% na comparação com o ano anterior.
As projeções oficiais para a balança comercial são atualizadas trimestralmente, e novas estimativas detalhadas sobre exportações, importações e saldo comercial de 2026 serão divulgadas em julho. O recorde de superávit foi registrado em 2023, com um resultado positivo de US$ 98,9 bilhões.
As previsões do Mdic estão mais otimistas em comparação às do setor financeiro. Segundo o boletim Focus, uma pesquisa semanal do Banco Central com analistas de mercado, a balança comercial deve encerrar o ano com superávit de US$ 70 bilhões.
Fonte: Agência Brasil

