Com quase um século de registros, a linguagem Pajubá é uma ferramenta crucial de proteção e comunicação para a comunidade LGBTQIA+, especialmente entre pessoas transgêneras e travestis, predominantemente negras.
No Mês do Orgulho LGBTQIA+, o Museu da Diversidade Sexual (MDS) realiza, nesta quinta-feira (25), uma discussão aberta sobre o reconhecimento da linguagem Pajubá como patrimônio linguístico.
Desenvolvida para cifrar conversas comunitárias, essa linguagem ganhou destaque durante a Ditadura Militar. Seu vocabulário contém elementos de línguas africanas, como o iorubá e o banto, além de influências do francês, italiano, espanhol e inglês. A palavra “pajubá” significa segredo, conversa ou novidade em iorubá.
Durante muito tempo, a linguagem enfrentou estigmas por ser utilizada principalmente por trabalhadoras sexuais travestis, conforme relata Amara Moira, escritora e curadora da Masterclass Pajubá:
“A própria comunidade, muitas vezes, olhou para essa linguagem como uma língua de marginais e fazia questão de se distanciar. Hoje, a gente pode sentir orgulho dela, mas é importante lembrar que, até algum tempo atrás, essa era uma linguagem estigmatizada.”
🔥 LEIA TAMBÉM
- Governo divulga investimento de R$ 130 milhões para ajudar pessoas em situação de rua.
- Censo da população em situação de rua será feito em cinco capitais.
- Sistema de Tratamento de Esgoto vai beneficiar 270 mil habitantes da Baixada Fluminense
- Muçulmanas enfrentam islamofobia na internet e nas ruas do Brasil
- Crescimento de 188% em denúncias de violência digital contra mulheres em um ano
Com o tempo e a diminuição da discriminação contra pessoas LGBTQIA+, a língua Pajubá começou a ser menos utilizada, especialmente pelas novas gerações, contribuindo para seu esquecimento.
Memória
Amara defende que a linguagem precisa ser relembrada, pois é um aspecto significativo da vida da comunidade LGBTQIA+.
“Analisar essas palavras é também refletir sobre o que estava no horizonte e quais eram as necessidades e urgências [da comunidade]. Isso revela como a nossa imaginação operava e documenta a transformação dos momentos e épocas.”
Nos últimos anos, a linguagem Pajubá tem ressurgido por meio de produções artísticas. “Acredito que o novo caminho para o Pajubá pode ser na arte, como cinema, teatro, música e literatura”, afirma Amara.
O encontro ocorrerá às 19h, no Centro de Empreendedorismo e Pesquisa do museu, situado na Rua do Arouche, 24, na República.
*Estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior.
Fonte: Agência Brasil

