A desocupação da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) pela Polícia Militar (PM), na madrugada de domingo (9), foi considerada truculenta e ilegal pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE Livre da USP). A entidade avaliou a ação como “abusiva eivada de ilegalidade”, apontando que não houve determinação judicial para tal medida.
O DCE destacou em nota que a ação resultou em dezenas de estudantes feridos devido ao uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes, além da formação de “um corredor polonês para espancamento”. Quatro estudantes foram detidos.
O DCE também sublinhou que, mesmo em situações que haja determinação de reintegração de posse, existem regras que orientam o procedimento de desocupação, tais como a proibição de operações entre às 21h e 5h, bem como reiterou que a desocupação aconteceu por volta das 4h15.
Os estudantes ocupavam a reitoria desde quinta-feira (7) para solicitar a reabertura de diálogo com o reitor Aluísio Augusto Cotrim Segurado, afirmando que havia uma negociação que foi encerrada unilateralmente pela reitoria na semana passada, sem atender às diversas reivindicações dos alunos.
O DCE apontou que a motivação para a ocupação se deu pela precarização das condições de inclusão e permanência na universidade, mencionando a falta de água, a proliferação de mofo nas moradias estudantis e a insegurança alimentar nos restaurantes universitários, com relatos de fornecimento de alimentos estragados e até com larvas.
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Secretaria Segurança Pública
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que quatro pessoas foram levadas ao 7º Distrito Policial, onde o caso foi registrado como dano ao patrimônio público e alteração de limites. Após a qualificação, foram liberadas.
De acordo com a nota, a operação contou com cerca de 50 policiais e foi concluída sem feridos, após tentativas de diálogo. A secretaria reafirmou que houve flagrante delito e crime permanente, dispensando a necessidade de ordem judicial ou notificação para a desobstrução do espaço. A operação foi registrada pelas câmeras corporais dos agentes e, após a desocupação, foram constatados danos ao patrimônio público, como portas de vidro quebradas e mesas danificadas, além da apreensão de entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes.
Fonte: Agência Brasil

