Uma jovem de 20 anos, de uma família pobre, chega a um hospital público na Argentina com fortes dores abdominais. Após sofrer um aborto espontâneo, é acusada de homicídio e sofre uma encarceramento injusto por cerca de dois anos. Sua liberdade é conquistada após uma mobilização significativa de mulheres que exigem a revisão judicial do caso.
O evento real que inspirou o filme Belén é um símbolo da luta pelo aborto legal na Argentina. O filme concorre ao troféu de Melhor Filme no Prêmio Platino Xcaret, considerado o Oscar do cinema ibero-americano, que será anunciado em breve no México.
Com dez anos desde a libertação da jovem, o longa reflete sobre os direitos sexuais e reprodutivos no país. A diretora Dolores Fonzi, em entrevista, aponta que a presidência de Javier Milei tem colocado barreiras para mulheres que buscam esse direito, apesar da legislação vigente, devido a restrições orçamentárias que tornam a prática inacessível para muitas.
Fonzi destaca que o custo de um aborto medicamentoso representa quase 20% de um salário mínimo, dificultando o acesso para mulheres de baixa renda. Mesmo com a lei em vigor, a falta de financiamento estatal faz com que as mulheres tenham que arcar com os custos dos medicamentos, mesmo em hospitais públicos.
O filme Belén tem sido exibido em diversas instituições, incluindo escolas e prisões, aumentando a conscientização sobre essas questões críticas. A produtora Letícia Cristi observa um aumento no interesse entre o público mais jovem, enfatizando a importância de discutir esses temas desde cedo.
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A narrativa do filme denuncia a negligência e a negação de direitos enfrentados por mulheres em situações de emergência obstétrica. A obra critica o sistema judiciário e retrata a campanha do movimento feminista pela revisão do caso de Belén.
Cristi destaca que o filme evidencia um sistema judiciário falido, repleto de falácias, onde ninguém é responsabilizado, apenas o sistema em si. A história é um testemunho da luta coletiva e da importância da solidariedade, envolvendo organizações de direitos humanos que se uniram na defesa de Belén.
Na América Latina e Caribe, a taxa de aborto entre mulheres de 15 a 49 anos é alta, especialmente em países com legislações restritivas. O acesso a métodos seguros de interrupção gestacional é garantido em países onde o aborto é legal, reduzindo complicações de saúde que ocorrem com práticas ilegais.
Esta reportagem foi realizada com o apoio dos Prêmios Platino Xcaret.
Fonte: Agência Brasil

