O Brasil conta com 252 indígenas entre os líderes de pesquisa. Esse número representa 0,38% do total de cientistas. Em contraste, a proporção na população brasileira é de 0,83%, segundo o IBGE, com 203 milhões de cidadãos recenseados em 2022.
Os líderes de pesquisa são essenciais na produção de conhecimento e na definição das prioridades para cientistas, acadêmicos e intelectuais. Eles determinam as linhas de investigação e escolhem os integrantes de seus grupos, incluindo jovens talentos que orientam.
Conforme o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), um líder deve criar, coordenar e manter seu grupo de pesquisa atualizado no “Diretório de Grupos de Pesquisa”, associado à Plataforma Lattes, que registra a produção científica no Brasil.
A sub-representação indígena entre os cientistas foi analisada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), conforme descrito no artigo “A liderança indígena nos grupos de pesquisa no Brasil: um panorama por grandes áreas do conhecimento de 2000 a 2023”, publicado no boletim Radar.
Crescimento com predomínio masculino
O período em análise mostrou crescimento nas lideranças indígenas: passou de 46 em 2000 para 252 em 2023, aumentando de 0,25% para 0,38%.
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De acordo com o Ipea, há um predomínio masculino entre as lideranças indígenas na maioria das áreas de conhecimento, exceto nas ciências da vida, como saúde, biotecnologia, biomedicina, biologia e ciências agrárias.
A pesquisa sobre as lideranças indígenas em ciência foi realizada pelo técnico de planejamento e pesquisa Igor Tupy e pelo analista em ciência e tecnologia Tulio Chiarini.
Após obter os dados, os pesquisadores planejam “conversar diretamente com alguns desses pesquisadores para entender suas trajetórias, os desafios que enfrentam e como constroem sua legitimidade científica, além de explorar se trazem cosmovisões que complementam ou contradizem processos científicos”, conforme nota de Chiarini ao Ipea.
Fonte: Agência Brasil

