O assessor especial da Presidência da República, embaixador Celso Amorim, defendeu nesta terça-feira (16) que a Inteligência Artificial (IA) controlada por um grupo restrito de empresas em poucos países pode aprofundar as desigualdades globais e comprometer os sistemas democráticos.
“É o caso das big techs que recusam qualquer tipo de regulação. Hoje vemos como algumas empresas de inteligência artificial dominam setores inteiros, inclusive em países desenvolvidos.”
Segundo ele, os Estados não podem abrir mão de sua capacidade regulatória legitimamente derivada do voto popular, devido ao poder das big techs.
A discussão sobre a ameaça que as big techs representam para as democracias é um tema recorrente mundialmente, especialmente pela capacidade das redes sociais de influenciar o debate público, propagar notícias falsas em escala e impactar o mercado de trabalho.
Amorim participa, em Portugal, da Conferência de Segurança Internacional do Forte, que reúne autoridades e especialistas da União Europeia e da América do Sul. O evento é uma iniciativa da Fundação Konrad Adenauer no Brasil, em parceria com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) e a Delegação da União Europeia.
- Terremoto de 6,3 graus causa uma morte e quatro feridos na China
- Desafio da Política Externa do Brasil é a Defesa, afirma assessor de Lula
- G7: Lula solicitará apoio para desenvolvimento e reforma na governança global
- Lula relaciona protestos no México com manifestações brasileiras de 2013.
- Brasil firma pacto para permitir perseguição policial fora das fronteiras
>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
Dados e soberania
Celso Amorim, assessor especial para a área internacional da Presidência, ressaltou que os “ataques cibernéticos” estão em ascensão, demandando investimentos em resiliência cibernética como condição para a soberania nacional no século XXI.
“Sem proteção digital, não há autonomia decisória nem confiança institucional. Os dados tornaram-se ativos econômicos, políticos e militares. Eles alimentam modelos de inteligência artificial, orientam decisões estratégicas e permitem monitoramento em larga escala.”
Amorim enfatizou que o Brasil deve estar “plenamente consciente” da importância e das implicações dos dados na economia digital e defendeu a proteção dos dados do banco do Sistema Único de Saúde (SUS).
Regulação das big techs
O embaixador Amorim apoiou a regulação das plataformas digitais para promover um desenvolvimento tecnológico voltado para “bens comuns”, como a redução da pobreza, proteção ambiental e direitos humanos.
“Viver em um mundo com trilionários enquanto 673 milhões de pessoas passam fome é inaceitável.”
IA como arma de guerra
Amorim também alertou para o risco do uso da tecnologia em conflitos armados.
“O desenvolvimento de armas autônomas é um exemplo claro do dilema moral atual. O uso da força letal se torna cada vez mais impessoal, sem risco imediato ao operador, e a culpa pela morte e destruição desaparece.”
Para o embaixador, o uso da IA em guerras deve ser uma grande preocupação no cenário geopolítico atual, “em que a resistência ao uso da força está desaparecendo”.
Ao mencionar o uso das tecnologias em conflitos no Oriente Médio, ele destacou que o Brasil deve “investir na defesa” a fim de “preservar nossa capacidade de dissuasão”.
Fonte: Agência Brasil

