InícioBrasilDireitos HumanosTarifa zero pode aumentar o acesso a serviços de saúde, revela estudo

Tarifa zero pode aumentar o acesso a serviços de saúde, revela estudo

Núbia Sales Veras, de 52 anos, mora na Cidade Ocidental, em Goiás, e utiliza diariamente o transporte público para se deslocar até o Lago Sul, em Brasília, onde trabalha. A distância é de cerca de 50 quilômetros.

O custo da tarifa do ônibus e a baixa qualidade do transporte dificultam o acesso a serviços essenciais, como o tratamento para fibromialgia, uma síndrome crônica que provoca dores musculares e articulares.

“Já perdi compromisso e consultas no hospital Sarah por causa da demora do ônibus e do valor da passagem”, relatou à Agência Brasil.

A reportagem conversou com Núbia na última sexta-feira (12), na Rodoviária do Plano Piloto, principal terminal de transporte do Distrito Federal.

Outro problema mencionado por Núbia é o custo da passagem, que chega a R$ 18 por dia, limitando sua vida social.

Núbia afirma que filhas perderam oportunidades devido ao preço da passagem. Foto: Pedro Rafael Vilela/Agência Brasil

“Muitas vezes não pude investir em cultura ou colocar minhas filhas em uma escola melhor por causa do valor da passagem”, destacou.

A vivência de Núbia ilustra a realidade de muitos usuários do transporte público nas grandes cidades do Brasil, conforme aponta um novo estudo do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB).

O artigo intitulado Quem pode circular? Tarifa zero, mobilidade e desigualdades raciais no acesso à cidade e aos serviços destaca que os custos e a precariedade do transporte dificultam a continuidade do cuidado em saúde, levando a atrasos em diagnósticos e consultas.

Racismo estrutural

O estudo menciona que os longos tempos de deslocamento podem agravar problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão, especialmente entre a população negra, que se encontra em maior número entre os grupos de baixa renda.

“As barreiras econômicas e territoriais à mobilidade afetam desproporcionalmente essa população, limitando seu acesso à cidade e aos serviços”, conclui o estudo.

Na mesma rodoviária, a aposentada Helena Simão, de 72 anos, que vive com osteoporose, também falou da dificuldade enfrentada. Embora não pague passagem, ela critica a baixa frequência de ônibus nas áreas periféricas.

Brasília (DF), 13/06/2026 - Helena Simão fala sobre tarifa zero pode garantir mais acesso a serviços de saúde. Foto: Pedro Rafael Vilela/Agência Brasil

Helena Simão não paga mais passagem, mas lamenta a pouca frequência de ônibus na periferia. Foto: Pedro Rafael Vilela/Agência Brasil

“Mesmo sem pagar, já perdi consulta médica pela demora dos ônibus”, denunciou Helena.

Dados do DataSUS mostram que mulheres negras têm o dobro do risco de morte materna em comparação às brancas, o que se relaciona com as limitações de acesso ao transporte.

>>Livro debate tarifa zero e mobilidade urbana como qualidade de vida

Transporte universal

O estudo propõe que a eliminação da tarifa no transporte público pode ser uma política fundamental para reduzir desigualdades, semelhante ao que fez o Sistema Único de Saúde (SUS).

“Isso pode transformar a relação da sociedade com essa política pública”, observa Paíque Duques Santarém, pesquisador da UnB e coautor do artigo.

A eliminação integral das tarifas seria uma ferramenta para garantir o acesso a serviços públicos e combater os padrões de exclusão territorial e racial nas cidades brasileiras.

Pesquisas anteriores sugerem que a gratuidade no transporte público nas 27 capitais brasileiras poderia injetar R$ 60,3 bilhões anuais na economia e ter um impacto similar ao do Bolsa Família.

Fonte: Agência Brasil

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Fábio Sakamoto
Fábio Sakamotohttps://dfnamidia.com.br
Jornalista MTB/DRT 0011561/DF, Desenvolvedor Web. Apaixonado por quadrinhos, filmes, séries e música.

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