O governo do Brasil fez um pedido de desculpas pelos discursos difamatórios e de ódio direcionados ao jornalista Dom Phillips e ao indigenista Bruno Pereira, em relação ao seu desaparecimento e assassinato em 2022.
A retratação foi feita pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR), Sidônio Palmeira, durante a premiação do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação, em nome do Estado Brasileiro, para as famílias dos dois defensores dos direitos indígenas.
O pedido de desculpas é parte do compromisso assumido pelo Brasil junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA).
“Dom Phillips e Bruno Pereira realizavam um trabalho essencial no Vale do Javari. O governo do Brasil se empenha em honrar esse esforço, combatendo o crime organizado na Amazônia e protegendo defensores de direitos humanos, comunicadores e ambientalistas. Por isso, temos a tranquilidade e legitimidade para pedir desculpas pelos discursos difamatórios e de ódio dirigidos a ambos no contexto de seu desaparecimento e morte em 2022”, afirmou o ministro.
O ministro enfatizou que Bruno e Dom “são exemplos de luta pelo povo brasileiro, enfrentando privilégios, desigualdades e crime organizado, suas ramificações nas instituições e a conexão com os poderosos”.
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“Ninguém que esteja nessa agenda terá uma vida tranquila. E existem pessoas dispostas a arriscar a vida para impedir a exploração ilegal do país. Nosso papel é honrar essas pessoas e trabalhar pela sustentabilidade, dignidade, justiça e prosperidade compartilhada do povo do Brasil, em sua diversidade”, acrescentou.
Entenda
Bruno e Dom foram mortos em 5 de junho de 2022, vítimas de uma emboscada enquanto navegavam pelo Vale do Javari, que abriga a Terra Indígena Vale do Javari, a segunda maior do Brasil, com mais de 8,5 milhões de hectares.
A última vez que a dupla foi vista foi quando se deslocava da comunidade São Rafael para a cidade de Atalaia do Norte (AM), onde se encontraria com lideranças indígenas e de comunidades ribeirinhas. Seus corpos foram encontrados dez dias depois em uma área de mata, a cerca de 3 quilômetros do Rio Itacoaí.
Colaborador do jornal britânico The Guardian, Dom dedicava-se à cobertura ambiental, incluindo conflitos fundiários e a situação dos povos indígenas, e estava escrevendo um livro sobre a Amazônia.
Bruno Pereira havia sido Coordenador-Geral de Índios Isolados e Recém Contatados da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e, após sua saída do órgão, passou a trabalhar para a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). Por sua defesa das comunidades indígenas e do meio ambiente, recebeu diversas ameaças de morte.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Bruno e Dom foram mortos por desafiar interesses da pesca ilegal na região, promovendo a educação ambiental em comunidades indígenas.
Em julho do ano passado, a Justiça Federal no Amazonas aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornou réu Rubén Dario Villar, conhecido como Colômbia, apontado como mandante das mortes e suspeito de chefiar uma quadrilha de pesca ilegal atuante no Vale do Javari.
Concurso
O podcast Crianças Sabidas – Série Trilhinhas Amazônicas, da Radioagência Nacional, conquistou o terceiro lugar na categoria de Iniciativa de Educação Midiática voltada à proteção do meio ambiente, povos indígenas ou comunidades tradicionais, no Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente e Direitos dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais.
A fotojornalista da Agência Brasil, Tânia Rêgo, recebeu menção honrosa pelos trabalhos apresentados na reportagem Áreas de retomada guarani em MS enfrentam dificuldades e violência, publicada em setembro de 2024.
Fonte: Agência Brasil

