A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos não traz benefícios para o Brasil neste momento. Essa é a avaliação do promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya.
“Os Estados Unidos já classificaram organizações criminosas mexicanas, venezuelanas e de El Salvador como terroristas, e isso não diminuiu o poder dessas organizações, que agem inclusive dentro dos EUA. Assim, não vejo, apesar das defesas pela politização do tema, o que isso vai beneficiar pragmaticamente.”
O promotor concedeu uma entrevista ao jornalista José Luiz Datena no programa Alô Alô Brasil, transmitido pela Rádio Nacional. Para ele, a medida tomada pelo governo americano pode prejudicar a cooperação entre os dois países no combate ao crime, como o tráfico de drogas.
“A CIA (Central de Inteligência dos EUA) passa a agir nesses casos, assim como os militares. Não apenas o FBI, a DEA (Drug Enforcement Administration) e outras polícias. Essa nova classificação pode, de fato, prejudicar a cooperação existente, o que é, na minha opinião, perigoso para o Brasil.”
Na noite de quinta-feira (28), os EUA anunciaram a designação das facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, em vez de crime organizado.
- STF revoga exigência de idade mínima para aposentadoria em atividades insalubres
- STF aceita julgamento de ação penal contra Eduardo Bolsonaro por aumento de tarifas.
- Caso Henry: 10º dia de júri focará em debates entre defesas e acusação
- TSE reafirma inelegibilidade de Claudio Castro
- Fachin expressa preocupação com sanções internacionais à Justiça brasileira
>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), para que um grupo seja classificado como terrorista, suas ações devem ter motivação ideológica ou política, o que não se aplica ao CV e ao PCC.
Essa diferenciação jurídica feita pelos EUA abre possibilidades de atuação dos americanos em território brasileiro, como intervenção militar, sanções econômicas e pressão sobre o governo federal, gerando um potencial risco à soberania nacional.
Invasão
No entanto, Gakiya, que investiga o PCC há mais de 20 anos, considera pequena a chance de o exército americano atuar dentro do Brasil no momento:
“Acho essa possibilidade bastante remota. Mas a legislação americana permite ações secretas de natureza militar fora de seu território e sem anuência do país onde ocorrerão essas operações. Isso já aconteceu em diversos lugares do mundo.”
“Isso ocorreu na Venezuela e no México, apesar da participação do governo mexicano. A atuação dos EUA no México para capturar um líder do cartel causou grandes danos colaterais à população civil”, completou.
Gakiya ressalta que uma invasão militar americana no Brasil é improvável, dado que existem tratados e acordos comerciais que poderiam dificultar essa ação. “Não se pode comparar a força do estado brasileiro com a da Venezuela”, destacou.
Ele defendeu o aprimoramento dos acordos de cooperação para investigações. “Defendo a criação de equipes de investigação, com forças-tarefas nos EUA e no Brasil, para que possamos combater essas facções. Eles podem nos ajudar com recursos financeiros, treinamento e tecnologia.”
Fonte: Agência Brasil

