A Petrobras anunciou a destituição de Claudio Romeo Schlosser do cargo de diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados. O comunicado foi feito na noite de segunda-feira (6), após reunião do Conselho de Administração da estatal de petróleo.
Schlosser era responsável pela área que, no dia 31, conduziu o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), que resultou em um ágio de mais de 100%, com o combustível sendo vendido a distribuidoras por mais que o dobro do preço estipulado.
Após o leilão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a realização do certame, afirmando que foi realizado contra a orientação da empresa.
Lula descreveu o leilão como “cretinice, bandidagem” e manifestou o desejo de anular a venda.
“As pessoas sabiam da orientação do governo e da Petrobras de não aumentar o GLP. Contudo, realizaram um leilão contra a vontade da direção da Petrobras”, declarou em entrevista à TV Record Bahia.
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No mesmo dia das declarações de Lula, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) fez uma fiscalização nas refinarias da Petrobras para investigar “suspeitas de prática de preços com ágios elevados” no leilão de gás de cozinha.
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Alta nos preços
Embora conhecido como gás de cozinha, o GLP também é utilizado como combustível em diversas indústrias.
O leilão ocorreu em um contexto de alta internacional nos preços do petróleo e de derivados devido à guerra no Irã, que alterou a cadeia produtiva da matéria-prima, criando risco de escassez.
Paralelamente, o governo busca soluções para amenizar os impactos da alta nos preços do petróleo e derivados. A destituição de Schlosser coincidiu com o anúncio de medidas que incluem isenção de impostos e subsídios para o diesel e gás de cozinha.
Diretoria de vendas
A diretoria anteriormente ocupada por Schlosser é uma das oito que estão sob a liderança da presidente da estatal, Magda Chambriard. Suas responsabilidades incluem decisões sobre a venda dos produtos da Petrobras.
A Petrobras informou que Angélica Laureano, que era diretora executiva de Transição Energética e Sustentabilidade, passará a comandar a diretoria de Logística, Comercialização e Mercados.
William França, diretor executivo de Processos Industriais e Produtos, assumirá temporariamente as funções que eram de Laureano.
Claudio Schlosser possui formação em engenharia química e direito. Ele ingressou na Petrobras em 1987 como engenheiro de processamento de petróleo e estava na diretoria desde março de 2023, durante a presidência de Jean Paul Prates.
Novo presidente do conselho
A Petrobras anunciou também que o Conselho de Administração elegeu Marcelo Weick Pogliese como presidente até a próxima assembleia-geral, prevista para acontecer em até dez dias.
Marcelo Weick Pogliese substitui Bruno Moretti, que renunciou para assumir o Ministério do Planejamento e Orçamento no lugar de Simone Tebet, que deve concorrer ao Senado por São Paulo.
O Conselho de Administração é o órgão superior de orientação e direção da Petrobras, responsável pela definição de estratégias. É composto por sete a 11 membros eleitos pelos acionistas, incluindo a presidente Magda Chambriard.
Indicado do governo
O governo, como acionista controlador, é responsável por indicar o presidente do conselho. A Petrobras informou que recebeu na segunda-feira a proposta de nomeação do atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Santos Mello, para o cargo.
Em comunicado ao mercado, a estatal mencionou que a indicação “será analisada quanto aos requisitos legais de gestão e integridade exigidos”.
Mello é doutor em ciência econômica pela Unicamp, mestre em economia política pela PUC-SP e graduado em Ciências Sociais pela USP e em Ciências Econômicas pela PUC-SP.
É professor licenciado do Instituto de Economia da Unicamp, coordenador do programa de pós-graduação em desenvolvimento econômico e integra conselhos de administração de empresas públicas, incluindo a presidência do conselho do BNDES e a participação no Conselho de Administração da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA).
Fonte: Agência Brasil

