Entidades que representam jornalistas brasileiros repudiaram agressões e ameaças sofridas por profissionais de imprensa que atuam diante do hospital particular onde o ex-presidente Jair Bolsonaro está internado, em Brasília.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) divulgaram notas exigindo proteção aos profissionais.
Conforme a Abraji, alguns jornalistas começaram a receber ameaças e ofensas após uma influenciadora digital bolsonarista postar um vídeo onde acusa jornalistas que aparecem nas imagens gravadas na porta do Hospital DF Star, esperando informações sobre a saúde de Bolsonaro, de desejarem sua morte.
O vídeo foi disseminado por parlamentares e pela ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que possui mais de 8 milhões de seguidores nas redes sociais.
A Abraji chamou a divulgação do vídeo, sem qualquer verificação prévia, de um gesto irresponsável. Segundo a associação, o conteúdo foi deturpado e expôs jornalistas “que estavam simplesmente exercendo seu trabalho” a ameaças e difamações.
- Voz do Brasil anunciará rede de apoio a mulheres em situação de violência
- Parada do Orgulho LGBT+ traz cor e alegria à Avenida Paulista
- 30ª Parada do Orgulho LGBT+ ressalta a relevância do voto
- Caminhada em São Paulo reúne mulheres lésbicas e bissexuais contra a violência
- Desemprego entre jovens mulheres negras chega a 24,7%, aponta estudo.
“É inadmissível que parlamentares e figuras com espaço no debate público utilizem sua influência para orquestrar campanhas de difamação e incitar agressões contra profissionais de imprensa. Esse tipo de ataque não é apenas uma ameaça individual — é um ataque direto à liberdade de imprensa e à democracia”, afirmou a Abraji em nota divulgada neste domingo (15).
De acordo com a associação, as agressões não ficaram restritas ao ambiente digital: ao menos duas repórteres sofreram ataques ao serem reconhecidas na rua.
Além disso, a Abraji mencionou que montagens e vídeos feitos com inteligência artificial foram divulgados, incluindo uma simulação de que uma das jornalistas é esfaqueada. Imagens de filhos e parentes de jornalistas estão sendo usadas como ferramenta de intimidação e assédio.
Em nota, a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal também demandaram proteção aos trabalhadores. “Ressaltamos que é dever do Estado garantir a segurança dos profissionais em locais públicos e de interesse jornalístico”, destacaram as entidades, anunciando que pedirão reforço da Polícia Militar na frente do hospital para evitar “cerceamento e agressões” ao trabalho da imprensa “por parte de militantes”.
“É fundamental a apuração rigorosa das ameaças para que episódios como esse não se repitam. Pedimos às autoridades policiais e ao Ministério Público que identifiquem e punam os autores das ameaças virtuais e os responsáveis pela exposição indevida de dados dos profissionais”, cobraram Fenaj e o sindicato.
As entidades exigem que as empresas de jornalismo ofereçam condições para que seus empregados trabalhem em segurança, afastando-os do hospital se não se sentirem seguros, além de fornecer apoio jurídico.
“Reafirmamos que a liberdade de imprensa é um pilar fundamental da democracia. O jornalismo é essencial para levar fatos ao conhecimento público e não pode ser cerceado por métodos de coação física ou psicológica. Não aceitaremos a intimidação como método político”, concluíram as entidades.
A Agência Brasil não conseguiu contato com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal e com a Polícia Civil para saber se boletins de ocorrência foram registrados.
Internação
Bolsonaro está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital DF Star desde a manhã da última sexta-feira (13), tratando de uma broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa.
Segundo o boletim médico divulgado esta manhã, seu quadro clínico é estável, com melhora na função renal, mas devido a uma elevação dos marcadores inflamatórios em seu sangue, os médicos decidiram aumentar a dosagem de antibióticos.
Ainda não há previsão de quando ele poderá deixar a UTI e seguir para um quarto, de onde deverá retornar ao Complexo Penitenciário da Papuda, onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados.
Fonte: Agência Brasil

