Os governos do Brasil e da Coreia do Sul anunciaram a criação de um grupo de trabalho para avançar nas negociações entre o país asiático e o Mercosul, bloco econômico formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além de outros países associados.
“Criamos um grupo de trabalho que vai identificar sensibilidades dos dois lados e evitar que elas sejam um empecilho para a retomada das negociações de um acordo do Mercosul com a Coreia”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em declaração à imprensa, após receber o presidente sul-coreano, Lee Jae-Myung, no Palácio da Alvorada.
O coordenador do grupo será o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.
O presidente sul-coreano também mencionou uma possibilidade de acordo com o Mercosul, destacando que este será benéfico tanto para a indústria do seu país quanto para o Brasil no mercado asiático.
Em sua fala, ele abordou as “incertezas no âmbito comercial” relacionadas ao acordo. Atualmente, o Brasil enfrenta tensões comerciais com os Estados Unidos, um de seus maiores parceiros, devido a tarifas aplicadas pelo país norte-americano. Nesse contexto, Jae-Myung enfatizou que a parceria entre Brasil e Coreia é imediata.
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“Com tantas incertezas no comércio, o acordo entre Brasil e Coreia não pode mais esperar. Ele é para agora. Acreditamos que o acordo entre Mercosul e Coreia proporcionará às empresas coreanas uma maior oportunidade de entrar no mercado da América do Sul e trará uma nova perspectiva ao mercado asiático para o Brasil, por meio da Coreia.”
Os dois países assinaram acordos comerciais em várias áreas, como defesa, educação e energia. Lula e Jae-Myung abordaram minerais críticos, com o presidente sul-coreano destacando a oferta que o Brasil possui desse recurso.
“O Brasil é um dos principais detentores de minerais críticos, e hoje concordamos em expandir a cooperação em todo o ciclo de vida desses minerais. Por meio desse acordo, criaremos uma base estável de oferta, fortalecendo a cooperação mútua de maneira benéfica.”
O presidente sul-coreano continuará sua visita a São Paulo, onde deverá visitar um sindicato de metalúrgicos. O Brasil é o país que mais recebe coreanos na América Latina, e em São Paulo vive a maior comunidade coreana no país, com mais de 50 mil pessoas.
Acordos
Foi assinado um acordo para intercâmbio de experiências em políticas educacionais e aproximação entre instituições de ensino dos dois países. Além disso, Brasil e Coreia assinaram um memorando de entendimento para a cooperação entre agências na exploração e realização de atividades espaciais pacíficas.
Na área de ciência e tecnologia, foi firmado um acordo para promover a cooperação em pesquisa, desenvolvimento e inovação aplicadas à indústria. No setor esportivo, há um acordo para o intercâmbio entre atletas e especialistas e compartilhamento de experiências em políticas públicas.
Soberania e paz
Os dois presidentes manifestaram apoio à solução pacífica de conflitos. Enquanto Lula defendeu a democracia diante de ataques de extremistas, Jae-Myung ressaltou a importância de se estabelecer a paz.
“Ambos sabemos defender nossas democracias frente aos ataques extremistas. Seguiremos construindo um mundo regido pelo diálogo, respeito entre as nações e fortalecimento do multilateralismo”, disse Lula.
“Reitero a forte crença do governo coreano de que a paz é fundamental para a segurança, sem a necessidade de luta ou guerra, e o presidente Lula concorda conosco nesse sentido”, declarou o sul-coreano.
Fonte: Agência Brasil

