A gestante Elane Carolina Carvalho, de 27 anos, enfrentou um desafio inesperado na gravidez. Ao perceber a perda contínua de líquido amniótico, ela foi internada no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM). O acompanhamento especializado continua até o nascimento de seu filho, Miguel.
“Acordei e percebi que estava vazando líquido. Pensei que fosse normal, mas o líquido continuou a descer. Quando fui ao hospital, a médica constatou que eu já havia perdido uma quantidade significativa e decidiu pela internação”, conta. Residente de Valparaíso (GO), Elane seguia um pré-natal normal na Unidade Básica de Saúde (UBS) da região, sem imaginar que precisaria de cuidados intensivos, já que sua gestação até a 29ª semana estava sem complicações.
Casos como o de Elane são comuns no ambulatório de pré-natal de alto risco do HRSM, gerido pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF). Este serviço atende gestantes com maior risco de complicações, focando na prevenção de mortalidade materna e problemas durante a gestação.
Somente nos quatro primeiros meses de 2024, o ambulatório especializado registrou 874 atendimentos para gestantes com complexidades diversas.
“Um pré-natal bem feito garante mais segurança para a mãe, favorece o desenvolvimento saudável do bebê e permite que a equipe médica acompanhe a gestação de forma individualizada e criteriosa”
🔥 LEIA TAMBÉM
- Concessionária de transporte do DF é a pioneira na adesão ao pacto pela integridade empresarial.
- Curso de Inteligência Forma Turma Histórica com Predomínio Feminino e Ênfase na Integração Institucional
- Liberados R$ 42 milhões para o Cartão Gás, Cartão Prato Cheio e DF Social
- Avanço da Regularização Fundiária em Ceilândia no GDF na Sua Porta
- Evento em Ceilândia destaca artes marciais como meio de inclusão social
Rafaella Torres, ginecologista e obstetra
A ginecologista e obstetra Rafaella Torres destaca que esse atendimento é fundamental para mulheres com doenças crônicas, histórico de complicações obstétricas ou alterações durante a gravidez. “O planejamento da gravidez também influencia diretamente na saúde materna e fetal. Mulheres com condições prévias devem buscar orientação médica antes de engravidar para alinhar exames, medicações e estratégias que minimizem riscos”, explica.
As condições que requerem maior atenção incluem hipertensão arterial, diabetes, lúpus, obesidade grave, doenças cardíacas, neurológicas e psiquiátricas, além de infecções crônicas, como hepatites e HIV.

Pacientes com histórico de abortos recorrentes ou descolamento de placenta necessitam de monitoramento especial. “O obstetra deve observar essas situações e, se surgirem complicações como diabetes ou pré-eclâmpsia, a gestante é considerada de alto risco”, acrescenta Rafaella Torres.
Casos mais delicados requerem cuidados frequentes e podem incluir exames laboratoriais e de imagem adicionais, visando à saúde da mulher e do bebê.
Acompanhamentos convencionais geralmente ocorrem uma vez por mês até a 32ª semana de gestação. Após isso, as consultas passam a ser quinzenais até a 36ª semana, e semanais até o parto. “Condições prévias exigem consultas mais frequentes, muitas vezes em conjunto com outros especialistas, para garantir segurança à gestante e melhores desfechos para mãe e bebê”, afirma.
Mortalidade materna ainda preocupa no Brasil
260 mil
Número aproximado de mulheres que morrem anualmente no mundo devido a complicações relacionadas à gravidez, parto ou pós-parto
Mundialmente, cerca de 260 mil mulheres morrem anualmente por complicações na gravidez, parto ou pós-parto, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Muitas dessas mortes seriam evitáveis com acesso adequado aos serviços de saúde. No Brasil, dados preliminares do Ministério da Saúde indicam 44,41 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos em 2024. Embora esse índice tenha melhorado desde a pandemia, ainda há necessidade de fortalecer estratégias de prevenção e assistência.
Quando procurar ajuda
No Distrito Federal, o acesso ao atendimento especializado inicia-se nas UBSs. Assim que a gravidez é confirmada, é fundamental buscar a UBS de referência para começar o pré-natal. Após avaliação médica, pacientes com fatores de risco são encaminhadas a ambulatórios especializados, como o do HRSM. Sinais como sangramentos, perda de líquido, dores intensas, febre, pressão alta e diminuição dos movimentos do bebê demandam avaliação médica imediata.
“Quanto mais cedo inicia o acompanhamento, maiores são as chances de prevenir complicações e garantir segurança para mãe e bebê”, enfatiza Rafaella Torres.
*Com informações do IgesDF

