A equipe econômica prevê arrecadar R$ 4,4 bilhões a mais em 2026 com o aumento da tributação sobre fintechs, casas de apostas e juros sobre capital próprio (JCP). A estimativa foi apresentada pela Receita Federal no primeiro Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do ano.
O documento, que orienta a execução do Orçamento federal, foi enviado ao Congresso Nacional. Essas taxações foram aprovadas pelo parlamento em dezembro de 2025 e fazem parte do esforço da equipe econômica para reduzir o desequilíbrio nas contas públicas em 2026.
### Novas alíquotas
A nova legislação aumentou a tributação em diversos setores. A alíquota para apostas online subiu de 12% para 15%, enquanto os juros sobre capital próprio agora têm uma incidência de 17,5% de Imposto de Renda, ante os 15% anteriores. Para fintechs e instituições financeiras, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) terá um aumento progressivo, atingindo 20% a partir de 2028, conforme o tipo de instituição.
### Impacto direto
- Ministério da Cultura solicita apoio do BRICS para desenvolvimento de infraestrutura cultural
- União Europeia implementa veto à carne brasileira a partir de setembro
- MTur lança linha de crédito para microempreendedoras afetadas pela violência
- Exportações do Brasil para os Estados Unidos têm queda de 14% em maio
- Receita aponta diferenças de R$ 44 bilhões em créditos de PIS/Cofins
O relatório detalhou as fontes de aumento da arrecadação prevista para 2026:
– R$ 3,1 bilhões: Imposto de Renda sobre JCP
– R$ 1,1 bilhão: CSLL de fintechs e instituições financeiras
– R$ 260 milhões: taxação de apostas
Ao todo, o impacto combinado das medidas tributárias deve alcançar R$ 4,4 bilhões.
### Benefícios cortados
Além do aumento de tributos, o governo cortou cerca de 10% nos benefícios fiscais, atingindo incentivos relacionados a tributos como o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Segundo o relatório, a Receita Federal estima que a redução de benefícios aumente a arrecadação federal em R$ 16,5 bilhões neste ano.
Somadas, as ações tributárias – que incluem a tributação de apostas, fintechs e JCP, além da redução de benefícios fiscais – devem produzir um efeito total de R$ 20,9 bilhões em 2026.
### Contas públicas
Mesmo com o aumento de receitas, o governo projeta um superávit primário de R$ 3,5 bilhões em 2026, sem considerar os precatórios e os gastos fora do arcabouço fiscal. Este valor está abaixo da meta fiscal, que é de superávit de R$ 34,3 bilhões, equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). Considerando os precatórios e algumas despesas excluídas do arcabouço fiscal, a projeção muda, e espera-se um déficit primário de R$ 59,8 bilhões.
O resultado primário representa a diferença entre receitas e despesas do governo, sem os juros da dívida pública.
### Bloqueio
Para cumprir os limites de gastos do arcabouço fiscal, a equipe econômica bloqueou R$ 1,6 bilhão em despesas discricionárias (não-obrigatórias). Esse bloqueio não está relacionado ao resultado primário, uma vez que o governo projetou superávit de R$ 3,5 bilhões.
O bloqueio foi necessário após o aumento das despesas obrigatórias, impulsionado principalmente por:
– R$ 1,6 bilhão: Previdência Social
– R$ 1,9 bilhão: Benefício de Prestação Continuada (BPC)
– R$ 1,4 bilhão: Programa Nacional de Alimentação Escolar
As despesas primárias sujeitas ao limite do arcabouço chegaram a R$ 2,394 trilhões no primeiro bimestre, excedendo o teto de R$ 2,392 trilhões.
### Cenário econômico
O relatório também atualizou as projeções macroeconômicas:
– PIB: crescimento de 2,33% em 2026, contra a previsão de 2,44% no Orçamento
– Inflação oficial pelo IPCA: 3,74%, em comparação com a estimativa anterior de 3,6%
Além disso, o governo revisou as receitas de royalties de petróleo para cima em R$ 16,7 bilhões, reduzindo a previsão de arrecadação administrada pela Receita Federal em R$ 8,6 bilhões.
O detalhamento completo do bloqueio de R$ 1,6 bilhão, por órgãos, será divulgado em decreto previsto para o fim de março.
Fonte: Agência Brasil

