A campanha Julho Amarelo, promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), destaca a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento das hepatites virais. Essas doenças afetam o fígado e, se não identificadas e tratadas a tempo, podem levar a complicações graves, como cirrose e câncer hepático.
Segundo o último boletim epidemiológico, entre 2021 e 2025, foram registrados 1.444 novos casos de hepatites virais no Distrito Federal. Destes, 526 (36,4%) foram hepatite B, 914 (63,3%) hepatite C e quatro (0,3%) hepatite D. No mesmo período, foram notificados 206 óbitos relacionados às hepatites B e C.
Cuidados que salvam
Embora exista tratamento para todas as formas de hepatite, manter a vacinação em dia é a maneira mais eficaz de proteção contra a hepatite B. O imunizante está disponível nas unidades básicas de saúde (UBSs).
A vacina contra hepatite B é administrada em quatro doses: a primeira ao nascer, seguida de doses aos 2, 4 e 6 meses. Para crianças a partir de 7 anos, adolescentes e adultos, o esquema é de três doses, com a segunda dose um mês após a primeira e a terceira seis meses depois.
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A vacina contra hepatite A faz parte do calendário infantil, com uma dose aos 15 meses. Para adultos, o imunizante está disponível para grupos específicos, como pessoas vivendo com HIV, usuários de PrEP e pessoas com hepatopatias crônicas, com um esquema de duas doses.
Outras medidas igualmente importantes para prevenir a hepatite incluem lavar bem as mãos e os alimentos, consumir água tratada, usar preservativo nas relações sexuais e não compartilhar objetos que possam ter contato com sangue, como lâminas de barbear, escovas de dentes, alicates de unha, agulhas e seringas.
As UBSs também oferecem testes rápidos para a detecção das hepatites B e C. O exame é gratuito e permite obter resultados em poucos minutos, possibilitando o início precoce do tratamento, se necessário. Todas as gestantes no 1º trimestre da gravidez devem fazer o teste para a doença.
Tipos das virais
As hepatites virais são classificadas em cinco tipos: A, B, C, D (Delta) e E, cada uma com formas diferentes de transmissão. A hepatite A está relacionada principalmente à ingestão de água ou alimentos contaminados e à falta de saneamento básico e higiene, mas também pode ser transmitida por práticas sexuais com contato oral-anal.
A hepatite B, por sua vez, é comumente transmitida por relações sexuais desprotegidas e contato com sangue contaminado. A hepatite C é propagada principalmente pelo contato com sangue infectado, como no compartilhamento de agulhas, seringas e outros materiais perfurocortantes.
As hepatites virais podem não apresentar sintomas, especialmente nas fases iniciais da infecção. Quando se manifestam, os sinais mais comuns incluem náuseas, vômitos, mal-estar, dor de cabeça, perda de apetite, urina escura, fezes claras ou esbranquiçadas, e icterícia (pele e olhos amarelados).
Como muitas pessoas permanecem assintomáticas por um longo período, o diagnóstico precoce é fundamental para reduzir o risco de complicações.

