Os Estados Unidos justificam a imposição de uma taxa de 25% sobre os produtos brasileiros com a acusação de que o país permite o desmatamento. O secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, rebate essa afirmação, considerando as análises do governo Trump como infundadas.
“O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa. O governo Trump virou as costas para a questão ambiental no mundo inteiro. Saiu do Acordo de Paris”, afirmou Astrini.
De acordo com o pesquisador, os Estados Unidos se beneficiam comercialmente por não implementarem medidas de proteção ambiental, como a redução da emissão de carbono. Ele destaca que existem diversos países que também promovem desmatamento, mas essa alegação não é utilizada para justificar taxas sobre produtos de outras nações.
“É uma medida puramente política, não tem nada a ver com a questão ambiental. É apenas uma desculpa para impor uma barreira tarifária ao país”, afirmou Astrini.
A ação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) é considerada crucial para a redução do desmatamento no Brasil, especialmente após os recursos financeiros do Fundo Amazônia que intensificaram a fiscalização.
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Um estudo do MapBiomas revela que o desmatamento no Brasil ficou abaixo de 1 milhão de hectares em 2025. O relatório indica que, pela primeira vez desde 2019, a área de vegetação nativa desmatada foi de 984.794 hectares, representando uma redução de 20,6% em relação a 2024.
O MapBiomas é uma iniciativa que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia, com o objetivo de monitorar as transformações na cobertura e uso da terra no Brasil, promovendo a conservação e manejo sustentável dos recursos naturais para combater as mudanças climáticas.
A Amazônia e o Cerrado juntos corresponderam por mais de 84% da área desmatada no Brasil em 2025. O Cerrado continua sendo o bioma mais afetado, com 540.614 hectares, o que representa 54,9% do total desmatado, embora tenha registrado uma queda de 16,9% em relação a 2024. Na Amazônia, o desmatamento foi de 289.478 hectares, uma redução de 23,5% em comparação ao ano anterior.
O Pantanal teve a maior redução proporcional entre os biomas, com uma queda de 48,4% na área desmatada em relação a 2024, totalizando 12.260 hectares perdidos no ano.
Segundo o MapBiomas, mais de 97% do desmatamento está relacionado à expansão da agropecuária nos últimos sete anos, contribuindo com 99% da vegetação nativa perdida em 2025. O último ano viu 99% da área desmatada devido ao garimpo concentrada na Amazônia, especialmente no Pará.
Por outro lado, o desmatamento associado a empreendimentos de energia renovável ocorreu majoritariamente na Caatinga, que respondeu por 97% da área desmatada relacionada a esse vetor. Já os desmatamentos urbanos aumentaram 7% em relação a 2024 e concentraram-se principalmente no Cerrado e na Amazônia, que juntos responderam por mais de 60% da vegetação nativa perdida em áreas urbanizadas.
Fonte: Agência Brasil

