Encerrando o mês de junho, reconhecido mundialmente como o Mês do Orgulho LGBTQIA+, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) organizou, na segunda-feira (30), um encontro multiprofissional focado no fortalecimento da assistência à população LGBTQIA+ nos serviços de saúde.
A iniciativa teve como propósito ampliar o diálogo sobre diversidade sexual e de gênero, discutindo práticas clínicas inclusivas, humanizadas, éticas e respeitosas. A proposta visa qualificar o atendimento, diminuir barreiras de acesso e fortalecer o vínculo entre profissionais e pacientes.
O enfermeiro do IgesDF, Maxsuel Dias, explicou que a iniciativa surgiu da necessidade de aumentar o conhecimento dos profissionais sobre as demandas específicas da população LGBTQIA+, desde a desconstrução de preconceitos até a melhoria da qualidade do atendimento.
“São especialidades que a comunidade apresenta demandas específicas e que muitas vezes não recebem o acolhimento necessário devido à falta de preparo ou preconceito”, ressaltou.
A psicóloga Sandra Alves elogiou a ação, enfatizando a importância do conhecimento para oferecer um suporte eficaz e garantir um atendimento acolhedor e respeitoso aos pacientes.
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Reunião de especialistas
Desde 2011, o Brasil conta com a Política Nacional de Saúde Integral LGBT, criada para assegurar o acesso da população LGBTQIA+ aos serviços de saúde e combater a discriminação no Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar dos avanços, especialistas apontam que ainda existem desafios a serem superados para garantir um atendimento plenamente inclusivo.
A fisioterapeuta pélvica Isabela Felix Alencar de Sousa destacou que o respeito à identidade de gênero e à sexualidade é fundamental para estabelecer uma relação de confiança com o paciente.
“Sem respeitar o gênero e a sexualidade, é impossível construir um vínculo terapêutico e oferecer um tratamento de qualidade”, afirmou.
De acordo com ela, é necessário reverter o despreparo profissional por meio de materiais informativos, políticas públicas, reestruturação curricular e a criação de uma equipe inclusiva.
“Toda a equipe precisa estar preparada, desde os recepcionistas, que fazem o primeiro contato com o paciente, até médicos e técnicos”, completou.
O médico de família e comunidade da Secretaria de Saúde, Bruno Pereira Stelet, destacou que a discussão sobre sexualidade deve ser parte da prática diária dos profissionais de saúde, como uma parte essencial do atendimento integral.
“Não podemos presumir informações sobre o paciente. Precisamos perguntar de maneira respeitosa e criar um ambiente seguro para que ele se sinta à vontade para falar sobre suas necessidades”, observou.
Alã Nunes, especialista em fenomenologia existencial e sexologia clínica, sublinhou que o acolhimento começa na escuta atenta e na conduta dos profissionais com quem busca atendimento.
“O preconceito pode se manifestar de maneira sutil, na linguagem escolhida, em julgamentos ou em ambientes pouco acolhedores”, explicou.
Para ele, não é necessário dominar todas as especificidades da população LGBTQIA+ para prestar um atendimento de qualidade. “O acolhimento transforma o cuidado. Não é preciso conhecer todas as experiências da população LGBTQIA+, mas ouvir, validar, respeitar e cuidar sem preconceitos”, enfatizou.
O médico infectologista Lino Neves da Silveira ressaltou que entender a realidade de cada paciente contribui para um cuidado mais eficaz.
“Precisamos oferecer a cada pessoa o que realmente necessita, considerando suas demandas específicas”, resumiu.
Segundo o especialista, o preconceito ainda atua como um dos fatores que afastam essa população dos serviços de saúde. “Os estigmas fazem com que muitos pacientes hesitem em procurar atendimento, o que leva a uma chegada tardia aos serviços, quando a situação já está mais grave, dificultando o tratamento e comprometendo os resultados”, concluiu.
Promovido pela Diretoria de Inovação, Ensino e Pesquisa (Diep), por meio do Núcleo de Educação Permanente (Nudep), com o apoio do Núcleo de Tecnologias Educacionais (Nuted), o encontro foi realizado de forma presencial e online, reunindo profissionais de diversas áreas e promovendo um debate multidisciplinar sobre o tema.
*Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)

