Na sua segunda edição, o projeto Águas de Oxalá reafirma a potência simbólica, espiritual e cultural dos rituais de lavagem, manifestações profundamente enraizadas na formação social e cultural do Brasil. Após passar pelo Complexo Cultural de Samambaia, pela Chácara do Pai Jorge e pelo Museu Vivo da Memória Candanga, a última semana de atividades acontecerá na Associação Papo de Mãe, em Samambaia, com atividades formativas e o encerramento marcado pela tradicional Lavagem Cultural e Festival de Acarajé. O projeto reúne a comunidade, com tradição e fé, em torno de um dos mais significativos legados das culturas afro-brasileiras. O ciclo se encerrará no sábado (27).
Idealizado e conduzido por Mãe Francys Baiana do Acarajé, ou Doné Francys de Oyá, o Águas de Oxalá consolidou-se como uma iniciativa que vai além da celebração religiosa, servindo também como espaço de afirmação cultural, resistência e diálogo. Em um contexto de intolerância religiosa, o projeto se posiciona como um ato público de valorização, respeito e reconhecimento das tradições de matriz africana, fundamentais na construção da identidade brasileira.
O projeto é dividido em duas frentes principais: os rituais de lavagens e as oficinas abertas à comunidade, com inscrição feita diretamente com Mãe Francys, pelo telefone (61) 99560-1695. As oficinas, com duração de 20 horas, são oferecidas a grupos de 20 pessoas e abordam o ritual da Lavagem, discutindo significado, história, indumentárias, musicalidade e culinária associadas a essa tradição. As aulas ocorrem durante a semana, e os alunos são convidados a participar das lavagens no fim de semana, junto à comunidade, guiados pelos orixás dessa celebração: Oxalá, Iemanjá e Oxum.
Mais do que um ritual, as lavagens representam um gesto coletivo de purificação, renovação e encontro. Realizadas como cortejos de fé e devoção, combinam elementos do candomblé e do catolicismo em uma expressão viva do sincretismo religioso brasileiro.
“O fomento público a projetos como o Águas de Oxalá cumpre um dever constitucional de salvaguarda da memória e do patrimônio imaterial do Distrito Federal”
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Fernando Modesto, secretário de Cultura e Economia Criativa
“Realizar a segunda edição do Águas de Oxalá é motivo de muita alegria e responsabilidade. Seguimos firmes nesse caminho de levar conhecimento, respeito e visibilidade às nossas tradições. Cada lavagem é um chamado à paz e um posicionamento. Nossas culturas seguem vivas, presentes e são parte indissociável da história do Brasil. Não há como falar de identidade brasileira sem reconhecer a força dos povos de matriz africana. Nosso projeto é um abraço coletivo contra a intolerância e a favor do respeito”, afirma Mãe Francys.
“Não há como falar de identidade brasileira sem reconhecer a força dos povos de matriz africana. Nosso projeto é um abraço coletivo contra a intolerância e a favor do respeito”
Mãe Francys, coordenadora do projeto Águas de Oxalá
Realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC-DF), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF), o Águas de Oxalá continua ampliando seu alcance e desenvolvendo sua missão de promover o respeito, combater o racismo religioso e reafirmar que essas tradições são pilares na formação do Brasil.
O secretário de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, Fernando Modesto, destaca o papel do Estado na garantia da pluralidade. “O fomento público a projetos como o Águas de Oxalá cumpre um dever constitucional de salvaguarda da memória e do patrimônio imaterial do Distrito Federal. Apoiar essas ações é uma escolha fundamentada no direito à manifestação religiosa e na consolidação de políticas culturais que reconhecem a diversidade como base de nossa formação social. É papel da gestão pública assegurar que esses espaços de transmissão de saberes permaneçam ativos e acessíveis a todos”, enfatiza o gestor.
*Com informações da Secec-DF

