Quem viaja ao Rio de Janeiro geralmente conhece o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar e a orla da zona sul. No entanto, um destino cada vez mais importante nesse itinerário é a Pequena África, que é rica em história e um importante centro de cultura afro-brasileira.
Localizada à beira da Baía de Guanabara, a região contém o Cais do Valongo, o maior porto de desembarque de africanos escravizados nas Américas, reconhecido como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO desde 2017.
A Pequena África, apesar de sua relevância histórica, ainda não recebe a valorização turística que merece, segundo especialistas que participaram da Feira Preta Festival, que ocorreu no Piér Mauá, reunindo debates, shows e projetos.
Antonio Pita, um dos fundadores da plataforma Diáspora Black, acredita que a Pequena África deveria ser destacada como uma das grandes atrações internacionais da cidade. “Muitas pessoas associam o Rio a praias e festas, mas ainda não conectaram o turismo a seus aspectos tradicionais”, disse.
A região abriga também o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), que preserva vestígios do desembarque de escravizados, além do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos e a Pedra do Sal, que fazem parte do Circuito Histórico e Arqueológico de Celebração da Herança Africana.
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O Grupo Afoxé Filhos de Gandhi, um dos blocos de carnaval afro mais antigos do Rio, também tem suas raízes nessa região, realizando anualmente a tradicional homenagem a Iemanjá em 2 de fevereiro e participando do carnaval.
Pita observa que, embora a região já seja uma das mais visitadas da cidade, muitos visitantes saem sem ter uma experiência completa. “As pessoas vão à Pedra do Sal ou ao Largo da Prainha, mas muitas vezes não conhecem o Cais do Valongo, que é fundamental para entender a importância da Pequena África na cultura carioca”, enfatiza.
Adriana Barbosa, diretora executiva da Preta Hub, destaca o significado do local, que foi um mercado de pessoas africanas escravizadas, mas agora se transforma em um espaço de criatividade e empreendedorismo. Cerca de 130 empreendedores participaram do evento e 10 mil pessoas compareceram.
Investimento em Divulgação
A afro-turismóloga Emily Borges, fundadora da Etnias Turismo e Cultura, afirma que é essencial incluir a Pequena África nos guias e roteiros turísticos e investir em sua divulgação, especialmente em locais como aeroportos. “O turismo é uma experiência de memória e conexão”, diz ela, enfatizando a importância de vivências profundas em viagens.
Os operadores de turismo e hotéis devem também promover esse roteiro, segundo Pita, que menciona que ainda persiste uma certa resistência em destacar este destino.
Com base em exemplos como a Rocinha, Pita destaca o grande potencial de destinos genuínos, lembrando o sucesso de um vídeo de drone na favela que atraiu turistas dispostos a pagar pela experiência.
Apesar da riqueza histórica e cultural da Pequena África, a comunidade e especialistas pedem apoio do poder público, incluindo melhorias em sinalização, conservação e segurança.
O Ministério do Turismo está apoiando esforços para tornar a Pequena África um roteiro de destaque internacional, com eventos como o Black Travel Summit. O Diáspora Black e a Feira Preta também vão fornecer treinamento e recursos para organizações do território, com o objetivo de valorizar a herança africana e mapear roteiros com potencial de desenvolvimento comunitário.
O espaço cultural Casa da Tia Ciata, na Pequena África, também representa a rica herança cultural da região.
Fonte: Agência Brasil

