A Petrobras planeja atender mais de um terço da demanda nacional por fertilizantes com a reativação de projetos de fabricação própria do insumo, essencial para a agropecuária do país.
O anúncio ocorreu durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à fábrica de fertilizantes nitrogenados na Bahia (Fafen), em Camaçari, na região metropolitana de Salvador, nesta quinta-feira (14).
Lula estava acompanhado por representantes da estatal, ministros e pelo governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues.
Com um investimento de R$ 100 milhões, a planta industrial foi reiniciada em janeiro de 2026, após permanecer cerca de seis anos inativa. A unidade possui capacidade para produzir 1,3 mil toneladas diárias de ureia, o que equivale a aproximadamente 5% da demanda nacional.
A reativação da Fafen gerou 900 empregos diretos e 2,7 mil indiretos na região. Este feito complementa outras iniciativas, incluindo a reabertura da Fafen em Laranjeiras, Sergipe, e da fábrica da Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), em Araucária, próximo a Curitiba.
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Uma quarta fábrica, a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, está em construção, com previsão de operação para 2029.
“Com a fábrica de Mato Grosso do Sul, a do Paraná, a de Sergipe e a da Bahia, vamos produzir 35% dos fertilizantes nitrogenados que o Brasil precisa”, afirmou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante a visita à Fafen em Camaçari.
Os fertilizantes nitrogenados, como a ureia, são amplamente utilizados por produtores agrícolas. Para sua produção, é necessário insumo oriundo do gás natural, producido pela Petrobras.
O uso de fertilizantes possibilita ao país a produção em larga escala de alimentos, contribuindo para sua posição como um dos maiores exportadores agrícolas do mundo.
“O Brasil é um país agrícola. É o segundo maior produtor de alimentos e precisa de fertilizantes. Não podemos continuar importando 90% do que a nossa agricultura necessita. O Brasil precisa ser autossuficiente na produção de fertilizantes”, destacou Lula durante seu discurso na visita.
Atualmente, o Brasil depende de importações para cerca de 85% a 90% dos fertilizantes que consome, o que representa uma das maiores vulnerabilidades do agronegócio nacional. Essa dependência é estrutural, visto que o país é o quarto maior consumidor global, responsável por cerca de 8% do total de fertilizantes utilizados no mundo.
Indústria nacional
O presidente comparou a retomada da Fafen na Bahia a outras iniciativas voltadas para impulsionar a indústria nacional, como a revitalização do setor naval. Segundo ele, o Brasil renunciou a atividades estratégicas ao acreditar que seria mais barato importar do que produzir localmente.
“Produzir aqui poderia ser um pouco mais caro, mas isso traria conhecimento tecnológico, mão de obra qualificada e desenvolvimento interno, permitindo que o Brasil fosse competitivo”, afirmou.
O presidente também criticou a privatização de ativos da Petrobras em administrações anteriores, mencionando a venda da BR Distribuidora, ex-subsidiária dedicada à comercialização de derivados de petróleo.
A empresa, que agora se chama Vibra Distribuidora, foi vendida pela Petrobras entre 2019 e 2021, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula argumentou que isso prejudicou a capacidade da Petrobras de regular os preços dos combustíveis nos postos.
“Nunca me conformei com a venda da BR. Por que vender a BR? Ao fazer isso, tiraram da Petrobras o poder de influenciar preços e distribuição”, declarou.
Lula expressou o desejo de que a Petrobras retorne ao setor. “Estou certo de que, se seguirmos neste ritmo e tivermos vontade política, teremos uma distribuidora de gasolina novamente”.
Fonte: Agência Brasil

