A brasileira Manal Jaafar e seu marido, o libanês Ghassan Nader, morreram em ataque israelense ao sul do Líbano no último domingo (26), buscando uma vida melhor e mais estável após 12 anos no Brasil.
O casal tinha dois filhos. Um deles, de 11 anos, também perdeu a vida no bombardeio, enquanto o outro sobreviveu e foi hospitalizado.
“Recebemos a notícia com sofrimento e tristeza. É algo que a comunidade [libanesa] enfrenta diariamente, com mais de 2,5 mil vítimas, a maioria civis, inocentes nesta guerra”, declarou o jornalista libanês Ali Farhat, amigo de Ghassan Nader.
Ali Farhat ressaltou que a notícia trouxe grande decepção à comunidade libanesa, evidenciando o sofrimento de muitos na guerra. A família havia deixado sua casa devido aos ataques, mas retornou ao ouvir sobre um cessar-fogo.
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Farhat descreveu os ataques israelenses como um massacre. “Israel ataca a geografia e a memória do Líbano, atingindo mesquitas, cemitérios e casas civis, sem proteção para ninguém, nem em Beirute. Eles buscam um genocídio como o da Faixa de Gaza”, afirmou à Agência Brasil.
A família de Ghassan e Manal era bem querida em Foz do Iguaçu (PR), onde comentaram querer se estabelecer no Líbano.
“O plano dele era criar uma vida estável no Líbano, levando em conta os rendimentos do comércio no Brasil. Ele queria priorizar a vida familiar e os estudos das crianças”, explicou Farhat, integrante da comunidade libanesa em Foz.
Farhat também mencionou a paixão de Ghassan por pesquisa e escrita, além de seu envolvimento na comunidade. “Ele era um empresário e um ativista humanitário, muito respeitado”, contou.
Ataques israelenses contra o Líbano
O Líbano tem enfrentado constantes ataques israelenses, parte de uma ofensiva dos EUA e Israel na região. O ataque que vitimou a família ocorreu em sua residência em Bint Jeil, no sul do Líbano. Essa informação foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil na segunda-feira (27).
“O bombardeio israelense não faz distinção entre civis e militares. Eles atacam cidades e residências sem aviso prévio. A maioria das vítimas são civis, como a família de Ghassan”, afirmou Farhat, com familiares ainda no Líbano.
Melina Manasseh, da comunidade libanesa e integrante da Federação Árabe da Palestina no Brasil, lamentou a morte da família de brasileiros. “Esse massacre reflete a política bélica expansionista de Israel”, afirmou.
“Não é a primeira vez que um brasileiro é vitimado por forças de ocupação. Israel desrespeita resoluções da ONU e ocupou militarmente o sul do Líbano por 18 anos. A situação atual se assemelha à ocupação na Palestina”, completou.
Manasseh mencionou que a trágica notícia da morte da família não mobilizou grandes reações no Brasil. “Os libaneses e palestinos permanecem esperançosos, acreditando que a situação irá melhorar. Porém, a diáspora libanesa no Brasil, composta por 9 milhões, não está suficientemente organizada”, afirmou.
Fonte: Agência Brasil

