No estado de São Paulo, o número de pessoas mortas por policiais militares em serviço aumentou 35,5% nos dois primeiros meses deste ano, subindo de 76 para 103 vítimas em comparação ao mesmo período do ano passado. Os dados foram coletados pela Agência Brasil, em um relatório divulgado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). 
O Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp) do MPSP divulga dados das mortes em decorrência de intervenção policial (MDIP), que são repassadas diretamente pelas polícias Civil e Militar, conforme legislação e resoluções da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP).
“Uma polícia que atua de forma violenta, focando em matar em vez de prevenir crimes ou prender criminosos, gera insegurança pública e riscos para todos os cidadãos”, afirmou Ariel de Castro Alves, advogado e presidente de honra do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo.
A letalidade policial havia apresentado uma queda durante o governo anterior, de 2019 a 2022, com os registros diminuindo de 720 para 262, representando uma redução de 63,6%, segundo dados do Ministério Público.
No entanto, desde 2023, sob a gestão de Tarcísio de Freitas, o número de vítimas tem crescido a cada ano. Em 2023, foram 357 mortes, um aumento de 95 em relação ao ano anterior.
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Em 2024, esse total saltou para 653, indicando um aumento de 83% em relação ao ano anterior. Em 2025, o número subiu para 703 registros.
“Esse levantamento evidencia a escalada da violência policial no atual governo de São Paulo, frustrando os avanços na redução da letalidade policial obtidos em gestões anteriores”, disse Ariel, classificando a situação como um retrocesso nos direitos humanos.
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A violência do estado, apresentada como método de combate ao crime, na verdade representa um fator de insegurança pública. Ariel ressaltou que, durante sua gestão, o governador e o então secretário Guilherme Derrite se opuseram ao uso de câmeras corporais e desdenharam denúncias de violência policial, resultando em um aumento na violência pela polícia.
O advogado sublinhou que a violência policial afeta, principalmente, jovens pobres e negros das periferias. “A mesma polícia que atua com violência contra os pobres se corrompe diante dos que têm dinheiro, gerando verdadeiras quadrilhas, milícias e grupos de extermínio.”
Fonte: Agência Brasil

