A sala de aula deve ser um espaço aberto, que encoraje a participação e a ousadia dos alunos. Todo professor tem a responsabilidade de valorizar a cultura e o conhecimento dos estudantes. Essa é a abordagem do artista e pesquisador pernambucano Lucas dos Prazeres, que tem levado sua visão a programas de capacitação em escolas públicas em todo o Brasil.
“A brincadeira vira a base da pedagogia. É necessário promover a cultura de cada região para que os alunos possam reconhecer as raízes do seu próprio território”, afirma.
As ideias de Lucas se alinham ao que estabelece a Lei nº 11.645/2008, que, em março, completou 18 anos. Essa legislação tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas de educação fundamental e média, tanto públicas quanto privadas, em todo o Brasil.
Ele enfatiza que a verdadeira “tecnologia” a ser desenvolvida é a rede de apoio comunitário, reconhecendo que o cuidado com as crianças vai além dos pais biológicos.
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Capacitação
Ainda esta semana, o artista e educador capacita 60 professores do Distrito Federal em um projeto promovido pela Caixa Cultural.
“É uma formação chamada ‘Reaprender Brincando’, que traz as culturas e brincadeiras das tradições populares para a ementa escolar”.
Ele defende a integração do ensino com a identidade, propondo uma abordagem inclusiva, antirracista e representativa, sem restringir a arte a meras atividades escolares.
Para Lucas, a cultura é vivenciada no cotidiano de cada lugar, e a solução seria praticar todas as disciplinas a partir das histórias locais e do modo de vida de cada comunidade. Seu maior aprendizado veio do Morro da Conceição, onde nasceu e cresceu.
“Lá é uma encruzilhada de saberes, onde a diversidade cultural de Pernambuco convive harmoniosamente”, diz.
Ele lembra que a inspiração inicial de sua mãe, Lúcia, e de sua tia, Conceição, remonta a 1981, quando a família gerenciava uma creche-escola comunitária que recebia material do governo. “O material didático não correspondia à realidade das crianças. Havia textos que mencionavam a visita à fazenda do vovô, mas nenhuma criança tinha vínculo com uma fazenda”.
Território
Lucas dos Prazeres ressalta que cabe aos professores de todos os níveis da educação incluir a arte nas aulas, mesmo nas disciplinas exatas. É fundamental criar conexões desde a primeira infância, estabelecendo a relação com a sua própria cultura e território nacional, construindo a identidade cultural desde cedo.
O pesquisador acredita que os gestores devem compreender que trazer cultura para a escola vai além da simples apresentação de um artista. “É uma abordagem bem mais profunda. A cultura popular deve ser usada como uma ferramenta de aprendizado”.
Fonte: Agência Brasil

