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Evento aborda a relevância dos arquivos na preservação da memória do golpe de 1964.

Em 1976, um documento do diretório acadêmico da Escola de Medicina da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) denunciava que muitos estudantes eram vítimas de violações de direitos humanos no campus. O texto também informava que agentes da ditadura militar faziam plantão diário na porta dos fundos da escola, listando detalhes sobre os carros dos agentes, incluindo cores e placas.

O material foi apresentado no Arquivo Nacional como exemplo da importância dos documentos históricos para a produção de conhecimento, luta política e busca por desaparecidos. A diretora do Arquivo Central da Unirio, Isabela Costa, destacou a clareza do texto sobre as violações e sua riqueza de detalhes, algo raro em arquivos que normalmente atuam em favor do Estado.

O Arquivo Nacional recebeu até quarta-feira (1º) pesquisadores, arquivistas e representantes de movimentos de memória durante a Semana Ditadura, Arquivos e Memória. O evento marcava os 62 anos do golpe militar que removeu João Goulart da Presidência, instaurando um período de 21 anos de repressão.

Mônica Lima, diretora do Arquivo Nacional, enfatizou a importância da proteção dos documentos históricos para manter viva a memória do autoritarismo no Brasil. Ela ressaltou que os documentos preservados ajudam na pesquisa histórica e fortalecem o direito à memória e à verdade, permitindo que a sociedade conheça melhor sua própria história e reforce valores democráticos.

A historiadora Cecília Coimbra, fundadora do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ e ex-militante do PCB presa durante a ditadura, lembrou o papel das famílias dos desaparecidos e dos movimentos sociais na busca por informações. Desde a década de 1980, esses grupos têm acessado arquivos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), órgão de polícia secreta da época.

Cecília destacou que, apesar de alguns documentos terem sido destruídos, outros foram encontrados e utilizados para ajudar a compilar dossiês sobre desaparecidos. No entanto, a luta continua, pois muitos arquivos relevantes ainda não foram abertos.

O evento contou também com a presença de Maria Fabiana Almeida, irmã do desaparecido político Alejandro Almeida e filha de uma das fundadoras do movimento Madres de Plaza de Mayo, da Argentina. Ela compartilhou a dor da experiência das mães que, inicialmente, acreditavam que seus filhos estavam apenas presos ou em hospitais, mas que nunca mais os veriam.

Maria Fabiana ressaltou a importância de não esquecer as violações de direitos humanos, especialmente em um contexto atual em que o presidente da Argentina, Javier Milei, é visto como um negador das conquistas de direitos humanos. Ela enfatizou que a memória e a luta das mães devem inspirar a sociedade a não temer falar a verdade e manter viva a luta por justiça.

Fonte: Agência Brasil

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Fábio Sakamoto
Fábio Sakamotohttps://dfnamidia.com.br
Jornalista MTB/DRT 0011561/DF, Desenvolvedor Web. Apaixonado por quadrinhos, filmes, séries e música.

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