O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri, afirmou que a população iraniana está se manifestando, pressionando o governo a não aceitar as promessas de negociação dos Estados Unidos (EUA). Em entrevista à Agência Brasil, ele declarou que o presidente dos EUA, Donald Trump, dialoga “com ele mesmo” e que a ideia de uma negociação entre os dois países se tornou uma “piada mundial”.
Trump reiterou a existência de negociações com um suposto “novo regime” no Irã, ameaçando atacar infraestruturas de energia e petróleo se Teerã não reabrir o Estreito de Ormuz. Ghadiri ressaltou que a opinião pública no Irã está claramente instigando o governo a não cair nas armadilhas das negociações.
Após a morte do líder supremo Ali Khamenei, seu filho, Seyyed Mojtaba Khamenei, assumiu o comando do Irã, que agora opera com um sistema governamental dividido entre o Executivo, o Parlamento e o Judiciário, além do Conselho dos Guardiões.
O embaixador desafiou a ideia de que grupos do Eixo da Resistência, como Hezbollah no Líbano e os Houthis no Iémen, são “proxies” do Irã.
Principais Trechos da Entrevista:
- Desafio da Política Externa do Brasil é a Defesa, afirma assessor de Lula
- G7: Lula solicitará apoio para desenvolvimento e reforma na governança global
- Lula relaciona protestos no México com manifestações brasileiras de 2013.
- Brasil firma pacto para permitir perseguição policial fora das fronteiras
- Três pessoas falecem no Quênia em protestos contra centro americano de ebola.
Agência Brasil: Como o Irã planeja encerrar o conflito?
Ghadiri: Durante negociações anteriores com os EUA, fomos atacados, demonstrando que há um ciclo vicioso de guerra, cessar-fogo e negociações que não devemos aceitar. Temos foco na resposta contra agressões e no fortalecimento da nossa soberania, sem nos deixarmos enganar por negociações.
Agência Brasil: O Irã teve sucesso em danificar a capacidade militar de Israel?
Ghadiri: Acreditamos que nossas ações militares têm causado danos significativos ao regime sionista. Respondemos de forma controlada, mas nossas respostas são eficazes e impactantes.
Agência Brasil: Como avaliam os ataques a universidades no Irã?
Ghadiri: As universidades, como a Jodhichapur, são partes importantes da nossa civilização e tradição. Os ataques do regime sionista expressam um desprezo pelas ciências e instituições educacionais.
Agência Brasil: Como está a situação interna do Irã após um mês de conflito?
Ghadiri: Apesar das agressões, a reação do povo tem sido forte, com manifestações em defesa da soberania. A história do Irã é profundamente enraizada, e continuamos a resistir.
Agência Brasil: Qual a análise da cobertura da mídia brasileira sobre a guerra?
Ghadiri: Agradeço a cobertura que reflete a verdade sobre nossa situação, mas criticamos algumas publicações que promovem uma narrativa prejudicial.
Agência Brasil: Como vê as ações recentes de aliados como o Hezbollah e os Houthis?
Ghadiri: Esses grupos lutam por suas próprias razões e interesses nacionais, e a forma como são rotulados como “proxies” pelo Ocidente está equivocada. Eles são independentes e defendem suas populações contra ocupações.
Esses tópicos ilustram a perspectiva do embaixador sobre a situação atual do Irã e suas interações regionais e internacionais.
Fonte: Agência Brasil

