O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) comunica que está monitorando continuamente as cadeias de suprimentos potencialmente afetadas pela guerra no Oriente Médio.
Entre os produtos monitorados estão os fertilizantes, como o nitrato de amônio, cuja importação ao Brasil foi temporariamente suspensa pela Rússia devido ao conflito na Ucrânia.
O conflito na Europa, que começou há quatro anos, já gerou volatilidade nos preços e intensificou a busca global por insumos agrícolas.
Para mitigar o impacto nos produtores rurais, o ministério realiza diálogos com diferentes setores para avaliar alternativas de logística, importação e estratégias que assegurem a segurança do abastecimento no país.
O Brasil importa uma “parcela significativa dos fertilizantes utilizados na produção agrícola”, o que reforça a necessidade de cautela por parte do mercado e dos produtores rurais.
- Desafio da Política Externa do Brasil é a Defesa, afirma assessor de Lula
- G7: Lula solicitará apoio para desenvolvimento e reforma na governança global
- Lula relaciona protestos no México com manifestações brasileiras de 2013.
- Brasil firma pacto para permitir perseguição policial fora das fronteiras
- Três pessoas falecem no Quênia em protestos contra centro americano de ebola.
Especulação
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, aponta que a instabilidade internacional tem gerado movimentos especulativos que elevam os preços dos fertilizantes. Fávaro destaca que a melhor forma de enfrentar a especulação é “não comprar quando o preço está artificialmente elevado”.
Em nota, o Mapa informa que a safra de inverno já foi plantada ou está em fase final de implantação, o que diminui a necessidade imediata de aquisição de fertilizantes.
A próxima grande demanda está prevista para setembro, quando começará o plantio da safra de verão.
“Quem precisava comprar fertilizante para a safra atual já o fez. Para a safra de verão, ainda há tempo. Por isso, a orientação neste momento é aguardar o desenrolar do cenário internacional e evitar compras precipitadas”, explicou Fávaro.
O ministro argumenta que o setor possui alternativas tecnológicas e estratégias de manejo que podem otimizar o uso de nutrientes nas lavouras, reduzindo assim os impactos de eventuais oscilações de preços no mercado internacional.
Riscos
Em consulta à Agência Brasil, o membro do Conselho Popular do Brics, Marco Fernandes, menciona que, como a maior parte dos fertilizantes do mundo passa pelo Estreito de Ormuz, é possível que ocorra uma crise de produção.
Segundo ele, isso poderia resultar em um aumento nos preços dos alimentos, levando à morte de milhares de pessoas em todo o mundo.
“O cenário que se configura, portanto, vai além da questão energética. É um cenário muito preocupante”, conclui o analista geopolítico do portal Brasil de Fato.
Fonte: Agência Brasil

