O governador Ronaldo Caiado estabeleceu contato direto com o governo dos Estados Unidos para promover a produção de minérios de terras raras em Goiás e destacar o potencial tecnológico do estado (Foto: Alexandre Parrode).
Caiado concluiu sua missão oficial em Washington, obtendo resultados positivos. Durante dois dias, ele apresentou as oportunidades de Goiás a representantes do governo americano e líderes do setor tecnológico, retornando ao Brasil com perspectivas favoráveis para parcerias focadas na exploração de terras raras e no desenvolvimento de projetos que utilizam Inteligência Artificial (IA) e data centers.
“Tivemos a felicidade e a oportunidade de mostrarmos o potencial de minérios em nosso território. Goiás, hoje, é uma ilha de segurança no Brasil, que vem se industrializando e, cada vez mais, avança na transformação de seus produtos, ampliando suas áreas de serviço”, afirmou Caiado.
O secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, fez um retrospecto das atividades que, segundo ele, colocaram o estado em uma posição vantajosa. “Pudemos discutir de forma abrangente as parcerias entre Goiás e os Estados Unidos. Eles manifestaram total apoio à cooperação. Terminamos a discussão do nosso acordo mais abrangente, que está pronto para ser assinado; agora, precisamos apenas agendar a data”, destacou.
Os representantes americanos também demonstraram interesse em investir na exploração da cadeia produtiva dos metais críticos. “Para avançarmos nas pesquisas de separação e no desenvolvimento da indústria dos ímãs”, comentou Adriano.
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Data Centers
A implantação de data centers foi um tema que se destacou nas discussões. “Eles vão olhar para Goiás como um ponto de destinação, uma vez que temos o Marco Civil da Inteligência Artificial, sancionado no ano passado. Estamos à frente, e isso está chamando a atenção para Goiás. Enquanto essa discussão no Congresso Federal está estagnada, temos uma lei antiga que imita a legislação europeia, que já está em mudança”, disse.
Outro fator relevante é o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia) da Universidade Federal de Goiás (UFG). “Hoje, aplicativos desenvolvidos por esse centro são utilizados em diversas áreas, como iFood, saúde e seguros, impactando cerca de 150 milhões de brasileiros. É o único que possui as GPUs mais avançadas da Nvidia instaladas, o que demonstra sua relevância”, comentou o secretário.
Missão oficial aos EUA
A convite da Casa Branca, Caiado participou de reuniões sobre a exploração de minerais críticos nos dias 3 e 4 de fevereiro. Ele esteve no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), referência do governo dos EUA para análises de política internacional, segurança e estratégia global.
Caiado também foi recebido pela Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA (DFC), onde apresentou o potencial do estado a autoridades governamentais e representantes do setor privado, incluindo Thomas Haslett, Diretor Executivo de Política de Energia e Minerais Críticos da instituição. Durante a reunião, Haslett destacou as oportunidades no setor de minerais críticos no Brasil, incluindo Goiás, bem como a importância de uma visão de longo prazo e do investimento em toda a cadeia de valor.
O CEO da Aclara Resources, Ramón Gino Barúa Costa, também participou do encontro, apresentando os avanços da empresa em Goiás, onde está desenvolvendo o Projeto Carina em Nova Roma, com investimento de cerca de R$ 2,8 bilhões para extração de terras raras pesadas. A multinacional já iniciou operações em planta piloto, em Aparecida de Goiânia.
Na quarta-feira, Caiado participou, a convite da Casa Branca, de uma reunião com o vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau, onde discutiu o potencial de Goiás na área de minerais críticos. Durante o encontro, ambos avançaram na discussão de parcerias estratégicas propostas pelo governo dos EUA, colocando Goiás como um ponto central no debate global sobre terras raras.
Atualmente, a única mina privada em atividade comercial no Brasil está localizada em Minaçu, no Norte do estado.
Caiado teve ainda uma agenda de compromissos na Câmara de Comércio dos EUA, onde abordou a exploração de minerais críticos, tarifação de produtos goianos, atração de investimentos e o cenário político brasileiro. As reuniões também discutiram tarifas sobre o mineral vermiculita e o açúcar orgânico, barreiras enfrentadas por empresas do estado.
O governador também iniciou diálogos para adquirir um aparelho de radioterapia por prótons para o Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora), em Goiânia. Esse aparelho, atualmente o único existente no mundo, foi produzido e se encontra na Universidade Johns Hopkins, famosa por inovações em pesquisas médicas.
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