O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu uma matriz energética limpa em colaboração com a Europa e a proteção de empregos diante do avanço da inteligência artificial.
Na Alemanha, Lula discursou na abertura da Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo. Criticou os efeitos da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, referindo-se ao conflito como “maluquice”.
Lula afirmou que o Brasil pode auxiliar a União Europeia na redução dos custos de energia e na descarbonização da indústria, destacando que as regras do bloco devem considerar a matriz energética limpa utilizada nos processos produtivos.
No discurso, acompanhado pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, e por representantes de governos e empresários, Lula argumentou contra “narrativas falsas” sobre a sustentabilidade da agricultura brasileira, sendo aplaudido em diversos momentos.
Ele enfatizou que criar barreiras adicionais ao acesso a biocombustíveis é prejudicial, tanto ambientalmente quanto energeticamente.
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O presidente anunciou que, em 2026, o Brasil implementará um “robusto programa” voltado para a economia verde e a indústria 4.0. Contextualizou o momento crítico na geopolítica global, marcado por paradoxos.
“A inteligência artificial nos torna mais produtivos, mas também é utilizada para selecionar alvos militares sem parâmetros legais ou morais”, criticou.
Defesa do trabalhador
Lula afirmou que o Brasil tem a menor taxa de desemprego da sua história e defendeu a redução da jornada de trabalho de 6×1, garantindo dois dias de descanso.
Em relação ao emprego, ele pediu a empresários e pesquisadores que considerem os impactos das tecnologias de inteligência artificial sobre os trabalhadores.
“Se a inteligência artificial causar o bem que nós queremos, é preciso lembrar que, por trás de cada invenção, existe um ser humano. Se ele não tiver mercado de trabalho, o mundo tenderá a piorar”, considerou.
“Maluquice da guerra”
No discurso, Lula assegurou que o Brasil é um dos países menos afetados pela “maluquice da guerra” contra o Irã, mencionando que o governo adotou medidas para mitigar esse impacto, sobretudo considerando que o país importa 30% do óleo diesel utilizado.
Ele condenou as desigualdades globais em contraste com os gastos de US$ 2,7 trilhões em guerras, pedindo responsabilidade aos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU para enfrentar essa realidade.
Efeitos sobre os mais vulneráveis
Lula lembrou que o conflito no Oriente Médio causa flutuações nos preços do petróleo, encarecendo energia e transporte, e provoca escassez de fertilizantes, afetando a produção agrícola e aumentando a insegurança alimentar.
“Os mais vulneráveis pagam o preço da inflação dos alimentos. O protecionismo ressurge como uma resposta falaciosa para problemas econômicos e sociais complexos”, afirmou.
Diante da “paralisia” da Organização Mundial do Comércio (OMC), Lula afirmou ser necessário “refundar a organização” e destacou a importância do acordo entre o Mercosul e a União Europeia.
“Daqui a menos de duas semanas, entrará em vigor um acordo que cria um mercado de quase 720 milhões de pessoas e um PIB de 22 trilhões de dólares”.
Lula foi aplaudido ao reafirmar o compromisso do Brasil de alcançar desmatamento zero na Amazônia até 2030, lembrando que, nos últimos três anos, houve uma redução de 50% no desmatamento da Amazônia e de 32% no Cerrado.
O presidente destacou a prioridade dada à sustentabilidade nos combustíveis, mencionando a mistura de 30% de etanol na gasolina e de 15% no biodiesel, assegurando que a produção de biocombustíveis ocorre sem comprometer o cultivo de alimentos ou a derrubada de florestas.
Ele ainda afirmou que 90% da energia elétrica do Brasil é limpa e que há potencial para produzir o hidrogênio verde mais barato do mundo.
Lula mencionou a exploração de minérios críticos como parte da descarbonização e transformação digital, ressaltando que, com apenas 30% do potencial mineral mapeado, o país já possui a maior reserva mundial de nióbio e significativas reservas de grafita, terras raras e níquel.
Ele afirmou que o Brasil não se vê apenas como um “mero exportador” de minerais, mas que busca parcerias internacionais com transferência de tecnologia.
Fonte: Agência Brasil

