InícioMundoLíderes africanos enfatizam soberania e união no combate ao terrorismo

Líderes africanos enfatizam soberania e união no combate ao terrorismo

A soberania e a integração entre países da África são essenciais para garantir a paz, estabilidade e segurança no continente. Investimentos focados na população jovem e o controle de fronteiras são estratégias importantes para enfrentar desafios como a ameaça terrorista.

Este foi o tema central do 10º Fórum Internacional de Dacar sobre Paz e Segurança na África, que ocorre nesta segunda-feira (20) e terça-feira (21) em Dacar, capital do Senegal.

Na abertura do evento, o presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, destacou os desafios globais, como tensões comerciais entre potências, proteção econômica e a crise climática.

“O nosso continente, longe de estar protegido, sofre os efeitos de todas essas crises e ainda precisa enfrentar múltiplas ameaças, como conflitos armados e o terrorismo”, afirmou.

O fórum, realizado desde 2014 pelo governo senegalês, reúne líderes de governos, como chefes de Estado, e representantes de organismos internacionais e especialistas.

A edição de 2026 conta com a presença de 38 países, incluindo 18 das 54 nações africanas. Também participam países externos, como o Brasil, representado pela embaixadora no Senegal, Daniella Xavier.

Estabilidade

O tema deste ano é “África enfrenta os desafios da estabilidade, integração e soberania: Quais soluções sustentáveis?”.

“Esse tema nos convida a uma reflexão profunda sobre o que devemos fazer juntos, com solidariedade, para tirar o continente do ciclo de instabilidade e transformá-lo em um espaço pacífico, integrado, soberano e próspero”, destacou o presidente senegalês.

Ele enfatizou a importância da soberania, especialmente em relação à exploração de recursos naturais, como urânio, petróleo e gás, recursos recentemente descobertos na região.

“Esses recursos não devem mais alimentar apenas indústrias estrangeiras. Extrair em nosso território, transformar em nosso território e vender a preços justos é fundamental para nossa transformação estrutural”, concluiu.

Terrorismo no Sahel

Bassirou Diomaye dedicou especial atenção à ameaça do terrorismo no Sahel, que abrange uma faixa continental entre o deserto do Saara e as savanas ao sul.

Desde a década de 2010, grupos ligados ao Estado Islâmico e à Al-Qaeda têm ampliado suas ações na região, afetando países do Golfo da Guiné, na costa do Oceano Atlântico.

A edição 2026 do Índice de Terrorismo Global posiciona o Sahel como o epicentro do terrorismo mundial.

O estudo indica que esta região responde por mais da metade das mortes por terrorismo no mundo em 2025.

Composta por dez países — Senegal, Gâmbia, Mauritânia, Guiné, Mali, Burkina Faso, Níger, Chade, Camarões e Nigéria —, os três últimos se destacam pela alta concentração de ataques.

Mali, Burkina Faso e Níger, na parte central do Sahel, contabilizam cerca de 4,5 mil atentados nas últimas duas décadas, resultando em 17 mil mortes, conforme o Índice de Terrorismo Global.

Esses países enfrentam instabilidade política, com múltiplos golpes militares na última década e desafios com grupos insurgentes na fronteira.

Especialistas identificam a falta de coordenação de segurança nas fronteiras como uma estratégia dos jihadistas (extremistas islâmicos).

“Embora a soberania seja importante em crises internas, é necessária uma resposta multidimensional. Devemos trabalhar igualmente para ter um controle eficaz sobre as fronteiras”, defendeu o presidente senegalês.

Ele argumentou que não pode haver uma ameaça de segurança em um país que não afete o vizinho e enfatizou que uma resposta interna isolada não é suficiente no combate ao terrorismo.

O presidente sugeriu enfrentar o terrorismo com ações militares, controle de fronteiras eficaz e cooperação entre as diferentes forças de defesa e segurança dos países.

Política para jovens e integração

O presidente da Serra Leoa, Julius Maada Bio, afirmou que a insegurança na África está ligada à falha de representação dos Estados. Ele destacou que muitos jovens se envolvem em atividades violentas por falta de alternativas.

Bio defendeu investimentos em juventude como estratégia de segurança nacional e não apenas como política social.

“Extremismo e crime organizado prosperam nas falhas de governança e na distância crescente entre cidadãos e o Estado. Grupos extremistas recrutam onde há desespero”, observou.

Com experiência na guerra civil de seu país, ele ressaltou que a paz vai além da ausência de conflitos e implica dignidade e esperança.

O líder enfatizou a importância da estabilidade, integração e soberania como soluções duradouras para os desafios de segurança.

“Integração não existe sem soberania. Soberania não se sustenta sem estabilidade”, afirmou, destacando a necessidade de autodeterminação africana em questões atuais.

“Soluções devem ser africanas, baseadas na realidade do continente, em vez de modelos importados superficialmente”, concluiu.

Ele também afirmou que a unidade entre países africanos é fundamental para a sobrevivência das nações.

Independência com integração

O presidente da Mauritânia, Mohamed Cheikh El Ghazouani, destacou os fatores que ameaçam a coesão das sociedades africanas, como tensões identitárias e déficits de governança.

Ele reforçou que a independência não significa isolamento e que a integração é uma necessidade essencial para enfrentar os desafios da globalização e das transformações geopolíticas.

O líder considerou que a integração pode ajudar a África a reduzir dependências externas e aprimorar a voz do continente no cenário global.

Comércio

El Ghazouani apoiou o fortalecimento da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao). Ele acredita que facilitar o comércio entre países africanos e a livre circulação de bens, serviços e pessoas é vital para a transformação econômica.

Atualmente, a Cedeao, que reúne 12 países, é presidida por Julius Maada Bio, que busca reampliar a área de comércio.

“Preciso convencer nossos mais de 400 milhões de cidadãos de que a Cedeao é essencial e que devemos permanecer unidos diante dos desafios que levaram alguns países a se afastar”, afirmou Bio, mencionando Mali, Níger e Burkina Faso, que se retiraram da comunidade econômica.

Os demais países africanos participam do fórum com delegações ministeriais. Os principais temas abordados incluem soberania tecnológica e digital, recursos naturais, transição política e indústria de defesa.

*O repórter viajou a convite do Ministério da Integração Africana, Negócios Estrangeiros e Senegaleses no Estrangeiro.

Fonte: Agência Brasil

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Fábio Sakamoto
Fábio Sakamotohttps://dfnamidia.com.br
Jornalista MTB/DRT 0011561/DF, Desenvolvedor Web. Apaixonado por quadrinhos, filmes, séries e música.

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