O trabalho de campo realizado por agentes comunitários de saúde e equipes externas nas unidades básicas do Distrito Federal passou por uma transformação significativa com a introdução de tablets como ferramenta principal de atendimento. Atualmente, mais de 1,6 mil dispositivos estão disponíveis para os profissionais da Atenção Primária, substituindo fichas em papel e agilizando o registro das informações.
Essa iniciativa é parte do processo de modernização dos serviços públicos de saúde e impacta diretamente a rotina das visitas domiciliares e ações nos territórios. Com os tablets, os dados dos cidadãos são inseridos em tempo real nos sistemas do Sistema Único de Saúde, eliminando falhas, retrabalho e atrasos no envio de informações.
Cada tablet foi entregue com um pacote de dados móveis, capa protetora e caneta digital, permitindo acesso imediato a plataformas como e-SUS Territórios, Prontuário Eletrônico do Cidadão e Cadastro Nacional de Usuários do SUS. Com isso, os profissionais não precisam mais retornar à unidade apenas para registrar informações coletadas em campo.
Para quem está há muitos anos na linha de frente, a diferença é notável. A agente comunitária Valdenira Rodrigues de Santana relata que o uso do tablet facilitou a organização do trabalho e ampliou a capacidade de atendimento. “Antes, anotávamos tudo à mão e depois digitávamos no sistema, o que tomava tempo e podia gerar erros. Com o tablet, a informação é registrada na hora, facilitando nosso trabalho e permitindo visitar mais famílias”, explica.
Os agentes atendem diferentes públicos, como gestantes, recém-nascidos, idosos e pacientes acamados. A aposentada Dalva Maria da Silva, de 79 anos, destaca que a presença dos profissionais traz tranquilidade e segurança, sabendo que sua saúde está sendo acompanhada.
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A digitalização também fortalece a gestão do sistema de saúde. Os tablets foram adquiridos através de um contrato que inclui suporte técnico, conectividade móvel e seguro contra danos, com investimento de aproximadamente R$ 5 milhões por dois anos.
De acordo com o secretário de Saúde do DF, Juracy Lacerda, essa medida torna o serviço mais eficiente. “O uso dos tablets organiza o fluxo de informações e elimina etapas desnecessárias, permitindo que os profissionais dediquem mais tempo ao atendimento e assegurando dados mais confiáveis para a gestão”, enfatiza.
A disponibilidade das informações em tempo real aumenta a capacidade de resolução das visitas. Segundo Ricardo Ramos, diretor da Estratégia Saúde da Família, muitas questões podem ser resolvidas durante o atendimento. “Com acesso imediato aos sistemas, o agente consegue verificar informações importantes na visita, resolvendo situações que antes exigiam deslocamento até a unidade”, explica.
A escolha dos tablets levou em conta critérios técnicos, como usabilidade e precisão no preenchimento de dados. A gerente de Qualidade na Atenção Primária, Lídia de Oliveira, salienta que a padronização é crucial para garantir a confiabilidade das informações. “O tablet oferece melhor visualização e mais precisão no registro, reduzindo erros e assegurando que os dados cheguem corretamente aos sistemas oficiais”, afirma.
Com mais de 20 anos de experiência, a agente comunitária Juliana Ferreira Soares considera essa mudança um avanço esperado. “Trabalhávamos com sistema, mas ainda dependíamos de papel. Agora, tudo é centralizado no tablet, tornando o atendimento mais rápido e organizado”, conclui.

