A aceitação das mudanças corporais após uma cirurgia é um dos desafios mais difíceis enfrentados por pacientes. A aposentada Vandelice Santos de Santana, de 66 anos, passou por essa experiência após o tratamento de câncer colorretal, quando precisou começar a usar uma bolsa de colostomia.
“Tive muita dificuldade para aceitar. No começo, eu não conseguia nem olhar para ela. Meu filho é quem colocava para mim”, relembra.
A bolsa de colostomia é um dispositivo utilizado para coletar fezes e outros resíduos através de uma abertura no intestino grosso, no abdômen. Sua utilização se torna necessária quando o intestino ou o ânus não funcionam adequadamente, exigindo cuidados especiais no cotidiano.
Nesse processo de adaptação está a estomaterapia, uma especialidade de enfermagem pouco conhecida, mas essencial para a qualidade de vida dos pacientes. O estomaterapeuta orienta, acompanha e trata pessoas com estomas, que são aberturas cirúrgicas ligando órgãos ao exterior do corpo, além de atuar no cuidado de feridas complexas e incontinências.
No Hospital de Base do Distrito Federal, administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), a enfermeira estomaterapeuta Alexandra Lino é referência nessa área. Sempre atuando na área cirúrgica, decidiu se especializar ao sentir a necessidade de um conhecimento mais profundo para oferecer uma assistência melhor aos pacientes.
- Junho Vermelho: A generosidade silenciosa que assegura o futuro das crianças no HCB
- Fornecimento de energia será interrompido no Plano Piloto nesta segunda-feira (15) para obras
- Painel de fotos no HRSM registra momentos pré-parto para gestantes.
- Ação de acolhimento à população em situação de rua ocorre em Planaltina nesta segunda (15)
- GDF aporta R$ 750 mil em nova rede de drenagem na avenida principal do Paranoá
“Eu sempre lidava com áreas de extrema complexidade, como abdômens abertos e estomas de difícil manejo. A estomaterapia me pareceu muito interessante”, explica.
A especialista destaca que sua formação abriu novas oportunidades e a preparou para ajudar pacientes em situação de sofrimento. “A estomaterapia me proporcionou conhecimento para superar desafios diante das realidades de cada um. Aqui no Hospital de Base, sempre tive suporte para atuar junto aos pacientes e proporcionar a qualidade de vida que eles necessitavam, mesmo em situações críticas”, detalha.
Alexandra foi responsável pelo acompanhamento e orientação de Vandelice e muitos outros pacientes em relação ao manejo da bolsa de colostomia. A ela também se atribui a parte do acolhimento, essencial nesse processo. “O cuidado é simples, mas se torna complicado porque a bolsa altera completamente a vida do paciente, impactando muito o psicológico”, pontua a enfermeira.
Em 2025, o Hospital de Base registrou mais de 2,5 mil atendimentos relacionados ao cuidado com estomas. Muitas pessoas conseguem gerenciar a situação sozinhas, mas algumas precisam de acompanhamento mais próximo devido a complicações ou dificuldades de adaptação.
“Cada paciente tem uma história única. Durante o atendimento, muitos fazem perguntas que sentem vergonha de direcionar a outros, inclusive à equipe médica. A participação da família é fundamental, pois faz parte da nova rotina”, relata.
Enfrentado certos preconceitos, o uso da bolsa de colostomia requer sensibilidade no atendimento. Para a especialista, a empatia é um diferencial importante.
“É fundamental mostrar ao paciente que ele não está sozinho. Isso pode mudar completamente a maneira como ele enfrenta essa fase”, complementa a enfermeira.
Hoje, Vandelice afirma que conseguiu superar esse período e retomou sua rotina com autonomia. “Eu cuido da casa, lavo roupas e ando sozinha. Levo uma vida normal e boa”, celebra.
Apoio especializado na adaptação e recuperação
Além do acompanhamento a pacientes com estomas, o estomaterapeuta também cuida de feridas complexas e incontinências, prevenindo complicações e acelerando a recuperação.
Esse profissional avalia lesões, orienta sobre a higiene da pele, sugere os curativos mais adequados e monitora a evolução dos casos, especialmente quando o paciente tem dificuldade para cuidar de si mesmo. Esse apoio contribui para a cicatrização e garante conforto e segurança.
Um exemplo é André Luiz Nagashima Silva, de 41 anos, que teve metade do pé amputado devido a complicações de uma bolha. Desde então, ele recebe acompanhamento até a cicatrização total da ferida.
“Desde o começo, recebo um atendimento excelente. Trata-se de um momento de adaptação, e contar com esse apoio é muito reconfortante”, afirma.
As principais condições tratadas incluem úlceras venosas, lesões diabéticas, como o pé diabético, e lesões por pressão. Esses casos precisam de acompanhamento contínuo devido ao risco de complicações.
No Hospital de Base, o atendimento em estomaterapia é direcionado a pacientes já em tratamento na unidade, garantindo uma assistência integrada.
*Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)

