Veículos abandonados em vias públicas continuam sendo alvo de uma força-tarefa permanente no Distrito Federal. Em 2025, a operação DF Livre de Carcaças retirou 1.259 automóveis inutilizados de ruas, estacionamentos públicos e áreas abertas, superando o total registrado em 2024, quando 1.150 carcaças foram removidas, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF).

Ao longo do ano, as equipes realizaram 2.055 ações, que incluíram fiscalizações programadas e atendimentos a denúncias feitas pela população. Desse total, 61% das ocorrências resultaram na retirada efetiva dos veículos. Em parte dos casos, a remoção foi feita de forma voluntária pelos proprietários após notificação. Nos demais, o automóvel foi recolhido diretamente ao pátio do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF).

Os outros 39% dos registros não resultaram em retirada porque se tratavam de denúncias duplicadas ou de situações em que o veículo já havia sido removido antes da chegada das equipes ao local.

A presença de carros abandonados é considerada um problema urbano com reflexos diretos na segurança e na saúde pública. Além de poderem ser utilizados como esconderijo para a prática de crimes, esses veículos também podem se tornar focos do mosquito transmissor da dengue e abrigo para roedores e outras pragas urbanas.

De acordo com o tenente-coronel da Polícia Militar do DF e responsável pela coordenação da operação, Gleison Bezerra de Lima, o aumento no número de remoções em 2025 está diretamente ligado ao reforço das fiscalizações, ao aperfeiçoamento da metodologia de trabalho e ao maior envolvimento da população. Segundo ele, a divulgação dos canais oficiais de denúncia tem ampliado o alcance das ações e facilitado a identificação de veículos abandonados em diferentes regiões do DF.

Regiões com maior número de remoções

O Plano Piloto liderou o número de retiradas ao longo de 2025, com 234 veículos removidos. Na sequência aparecem Taguatinga, com 138 registros, Samambaia, com 109, Ceilândia, com 83, e o Guará, com 53.

Na outra extremidade do levantamento, Água Quente não registrou nenhuma remoção no período. Brazlândia e Fercal tiveram apenas um recolhimento cada. O Lago Norte contabilizou quatro casos, enquanto o Itapoã registrou cinco remoções.

Segundo a SSP-DF, em cerca de 60% das ocorrências — o equivalente a 755 casos — foi possível localizar os proprietários dos veículos. O contato ocorre, preferencialmente, de forma presencial no local. Em situações excepcionais, a abordagem pode ser feita por telefone. Caso o responsável não adote nenhuma providência após até duas notificações, a terceira visita já é realizada com a finalidade de remoção.

“Quando o proprietário não é localizado ou não toma nenhuma medida para retirar o veículo da via pública, a remoção passa a ser compulsória”, explica o tenente-coronel Gleison Bezerra de Lima.

Como denunciar veículos abandonados

A população pode colaborar com a operação DF Livre de Carcaças denunciando veículos abandonados em vias públicas. Para o registro da ocorrência, é importante informar o endereço completo, um ponto de referência e, se possível, características do automóvel.

As denúncias podem ser feitas pelos seguintes canais oficiais do Governo do Distrito Federal:

  • Ouvidoria do DF, por meio do sistema Participa DF;
  • Administrações regionais;
  • E-mail da operação: [email protected];
  • Abordagem direta às equipes de fiscalização que atuam nas ruas.

Orientação aos proprietários

Além da fiscalização, a operação também tem caráter educativo. A principal orientação é que veículos sem uso não sejam mantidos em vias ou áreas públicas. Ao identificar que um automóvel não está mais em condições de circulação, o proprietário deve providenciar a retirada voluntária, levando-o para um local privado, como garagem ou terreno apropriado.

Outra alternativa é a venda do veículo como sucata ou para desmanche, caso não haja interesse em manter o bem. Durante as abordagens, as equipes explicam os riscos associados ao abandono. “Um carro nessas condições pode ser utilizado para a prática de crimes e também representar risco à saúde pública, dependendo do estado de conservação”, reforça Gleison Bezerra de Lima.

Ainda segundo o coordenador da operação, quando o veículo apresenta elevado grau de deterioração ou oferece risco imediato à segurança ou à saúde, a avaliação técnica pode antecipar o processo de remoção, reduzindo o prazo entre a identificação e a retirada.

Ações permanentes

A operação DF Livre de Carcaças é realizada de forma contínua ao longo do ano, com atuação integrada da Secretaria de Segurança Pública do DF, Polícia Militar, Detran-DF, Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) e administrações regionais.

“As ações são permanentes. As equipes estão nas ruas diariamente, e todo veículo identificado passa por avaliação técnica, sempre com base na legislação de trânsito e nos critérios de risco à coletividade”, conclui o tenente-coronel.