O avanço das ações de saúde pública colocou o Distrito Federal em um patamar bem mais favorável no combate à dengue em 2025. O ano epidemiológico foi encerrado com uma queda de 96% nos casos prováveis da doença, conforme aponta o boletim epidemiológico mensal nº 52 da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

Ao longo do ano passado, foram registradas 24.759 notificações suspeitas. Após análise técnica, 11.875 foram classificadas como casos prováveis, sendo 11.108 ocorrências entre moradores do próprio Distrito Federal. O resultado representa uma mudança expressiva em relação a 2024, período marcado por um cenário fora da curva, quando o DF contabilizou 278.019 casos prováveis entre residentes, em meio à ampla circulação do vírus no país.

Para a diretora de Vigilância Epidemiológica da SES-DF, Juliane Maria Alves Siqueira Malta, o acompanhamento sistemático dos dados é decisivo para o controle da doença. “O monitoramento contínuo permite observar rapidamente alterações no volume de atendimentos e identificar mudanças no padrão dos sorotipos em circulação”, explica.

Ela destaca que, mesmo diante da redução expressiva, a secretaria adotou uma postura preventiva. O plano de contingência para dengue, chikungunya e zika foi atualizado, os processos de notificação passaram por ajustes para ganho de qualidade e o informe epidemiológico semanal foi reformulado. “Essas medidas ampliam a capacidade de resposta da rede de saúde e ajudam a evitar a evolução para quadros graves”, afirma.

Os dados mostram que a queda dos casos não se concentrou em uma área específica, mas foi registrada em todas as regiões de saúde do DF, sinalizando um comportamento mais equilibrado da doença no território. Em 2025, a maior incidência ocorreu entre adultos jovens, especialmente pessoas de 20 a 29 anos, faixa etária considerada prioritária para ações educativas e preventivas.

O cenário positivo é atribuído ao trabalho permanente desenvolvido pela Secretaria de Saúde, que envolve vigilância epidemiológica, acompanhamento assistencial e ações contínuas da vigilância ambiental para o controle do mosquito transmissor. As estratégias são mantidas durante todo o ano e articulam diferentes setores da rede pública.

Mesmo com os indicadores em queda, a SES-DF reforça que a atenção não pode ser relaxada. A dengue tem comportamento sazonal e tende a aumentar nos períodos de calor e chuvas intensas, quando se ampliam as condições favoráveis à reprodução do Aedes aegypti.

Prevenção intensiva alcançou mais de 1,8 milhão de imóveis

Além do monitoramento epidemiológico, a Secretaria de Saúde manteve uma atuação intensa no campo ao longo de 2025. Ao todo, 362 profissionais da Vigilância Ambiental em Saúde realizaram visitas a mais de 1,8 milhão de residências no Distrito Federal, além de ações em áreas públicas e locais com grande circulação de pessoas.

As atividades incluíram diferentes frentes de controle do vetor, como a aplicação da Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI) em pontos estratégicos, a instalação de mais de 3,2 mil estações disseminadoras de larvicidas e o uso de aproximadamente 3,8 mil ovitrampas para monitoramento da presença do mosquito.

O trabalho foi reforçado pelo uso de drones no mapeamento de áreas consideradas prioritárias. A tecnologia permitiu a varredura de 22 regiões administrativas, com a análise de mais de 2,1 mil hectares e a identificação de milhares de possíveis focos do vetor. Outra estratégia adotada foi a liberação de mosquitos com a bactéria Wolbachia, método que contribui para reduzir, de forma sustentável, a transmissão das arboviroses ao longo do tempo.