O ser humano possui entre 5 a 6 milhões de receptores olfativos, enquanto os cães têm até 300 milhões. Essa diferença explica a eficácia desses animais em operações policiais de detecção de drogas e explosivos, além da busca por suspeitos. A atuação dos cães policiais se tornou fundamental nas ações de segurança pública, especialmente após uma operação em abril deste ano no Rio de Janeiro, onde um pastor-belga-malinois ajudou a localizar um galpão que armazenava 48 toneladas de maconha — a maior apreensão da história do Brasil.
Os K9, termo internacionalmente utilizado para se referir a cães de trabalho, são treinados e empregados em diversas funções em Brasília, sendo o Batalhão de Policiamento com Cães (BPCães) da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) responsável por essa atuação.
Os cães são classificados por idade e modalidade de atuação. Suas funções em Brasília incluem a detecção de drogas, identificação de explosivos e busca por criminosos. Entre os cães que se destacaram em operações estão Paçoca, Xamã, Izzy, Zang, Scott, Zaira e Eros, que colaboraram em apreensões significativas e operações de segurança.
Treinamento de ponta
A seleção dos cães começa desde recém-nascidos, com uma equipe especializada que avalia instintos como impulso de caça e obediência. Raças como pastor-alemão e pastor-belga-malinois são preferidas devido à sua inteligência e versatilidade.
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O treinamento dos cães é fundamentado na associação de odores com recompensas positivas. Para farejamento de narcóticos, as substâncias são utilizadas de modo controlado, evitando contato direto, com o odor impregnando materiais específicos.
Rotina operacional
Atualmente, o BPCães conta com 48 cães, incluindo filhotes e animais já treinados. O major Yuri Dezen, subcomandante do batalhão, menciona que os cães são frequentemente requisitados para apoio em operações, incluindo varreduras e identificação de explosivos.
Dezen enfatiza que a renovação do plantel é constante, com aposentadorias gradual dos cães mais velhos e a introdução de novos filhotes, que passam por um treinamento de até um ano e meio. “Iniciamos desde os três meses, mantendo o animal condicionado a identificar odores, e isso se torna uma brincadeira onde recebe recompensas. Enquanto o policial faz seu trabalho, o cão percebe que venceu o jogo”, afirma.
A rotina operacional dos cães geralmente se estende até os 7 ou 8 anos. Após esse período, eles são afastados do serviço e desfrutam de uma aposentadoria que assegura qualidade de vida, frequentemente permanecendo com seus condutores ou sendo adotados pela comunidade.

