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Brasília, a capital do sonho concreto

Neste mundo onde globalizar frequentemente implica numa uniformização excessiva, Brasília se destaca, verdadeiramente, como uma cidade única. Um dos aspectos estruturais mais marcantes do nosso quadrado é que, ao contrário de muitas cidades que se desenvolvem organicamente, Brasília foi planejada e construída totalmente para que seus habitantes se estabelecessem aos poucos.

Ao longo desses 66 anos, muitas transformações ocorreram na capital federal. Há cerca de três décadas, quando cheguei aqui sem conhecer nada, ainda era possível visualizar, da janela do avião, o desenho de um avião, com suas asas e eixos, representando o Plano Piloto. Com o tempo, esse panorama evoluiu, trazendo diversidade ao que hoje é visível ao redor. Brasília cresceu.

Hoje, somos 2,8 milhões de habitantes, tornando-nos a terceira cidade mais populosa do Brasil. O tempo em que Brasília contava com amplas pistas e a circulação de veículos em velocidades elevadas, sem mesmo precisar de semáforos, já é passado. As leis de trânsito chegaram para garantir nossa segurança, e aprendemos a nos mover com um mínimo de civilidade.

Com as mudanças, Brasília ainda desfruta do privilégio de ter um ar limpo, imensos espaços verdes como o Parque da Cidade no centro urbano, a circulação tranquila pelas ruas e a possibilidade de atravessar a faixa de pedestres com segurança, tudo sob o vasto céu que nos envolve.

O formato de avião fica no imaginário de quem chega a Brasília pelo ar | Imagem: GoogleEarth

Ah, o céu de Brasília! Celebrado em canções de Toninho Horta e Fernando Brant, mineiros que, assim como eu, nutrem uma forte conexão com a capital federal. O firmamento, que parece estar ao alcance das mãos, é um verdadeiro encanto ao qual todos se rendem à primeira vista.

Esse céu proporciona um clima singular no Brasil. Temos água em abundância, e a seca prolongada de quase seis meses nos lembra dessa bênção. Mesmo nos dias mais quentes, a temperatura suaviza-se à noite, convidando a abrir as janelas e permitir a brisa fresca adentrar os quartos. Brasília inspira bons sonhos, e o clima do Cerrado nos envolve com carinho.

Pelo menos duas tonalidades de azul se misturam a esse céu único, revelando a presença de uma força criativa invisível, orquestrada por uma mão divina em Brasília: a Igreja Dom Bosco e a Sala do Egito, na LBV. Ambos os locais nos conduzem a um estado de introspecção profunda.

O desenho do avião, idealizado nos esboços finais da cidade, permanece. Ao seu redor, a vasta extensão do Lago Paranoá, a Ermida, e o espírito de interior presentes em Sobradinho e Colorado, as cachoeiras, o Jardim Botânico, o Vale do Amanhecer, os parques ecológicos e uma infinidade de construções e monumentos naturais nos lembram de agradecer, todos os dias, por sermos parte disso.

Monumentos? Falar sobre eles é perceber que a cidade transborda em monumentalidade. A Catedral, a Igrejinha da 308 Sul, o Congresso com seus icônicos semicírculos, os painéis de Lucio Costa, e a Vila Planalto estão entre as expressões que fazem nossos corações pulsarem de alegria.

E o melhor: isso é apenas uma fração. O avião desenhado nos planos originais da cidade permanece visível. Avistá-lo do alto agora exige atenção, mas ao seu redor, há a grandiosidade do Lago Paranoá, a Ermida, o clima interiorano de Sobradinho e Colorado, cachoeiras, o Jardim Botânico, o Vale do Amanhecer, parques ecológicos e uma interminável lista de construções e monumentos naturais que nos fazem agradecer diariamente por viver aqui. Eu, que nasci antes de Brasília e vim aqui pensando em permanecer apenas por um período, sinto a mesma gratidão.

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Fábio Sakamoto
Fábio Sakamotohttps://dfnamidia.com.br
Jornalista MTB/DRT 0011561/DF, Desenvolvedor Web. Apaixonado por quadrinhos, filmes, séries e música.

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