InícioBrasilSaúdeResolução veta uso de PMMA por médicos em tratamentos dermatológicos.

Resolução veta uso de PMMA por médicos em tratamentos dermatológicos.

Alergia, inchaço, dor intensa, manchas, deformação e perda de partes do corpo, queimaduras, sangramento, queloides, infecções, necrose e até morte. Essas são algumas das sequelas graves do uso do polimetilmetacrilato (PMMA), conforme apontado nesta segunda-feira (1º) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que justifica a proibição do uso médico deste material em preenchimentos na pele.

O uso injetável do produto por médicos será proibido oficialmente a partir desta terça-feira (2), com a publicação da resolução nº 2.461/2026 do CFM no Diário Oficial da União.

O presidente da entidade, José Hiran da Silva Gallo, destacou a importância de coibir o uso deste polímero em procedimentos de preenchimento intradérmico, tanto estéticos quanto reparadores. “Essa é uma decisão ética de extrema importância para a segurança da população e, especialmente, do paciente.”

A resolução do CFM regula apenas o ato médico e não impõe regras a outras profissões, como explica a relatora da resolução, a cirurgiã plástica e conselheira Graziela Bonin.

“A partir de agora, qualquer uso do PMMA e a publicidade de que está usando o PMMA passa a ser uma infração, independentemente de eventual dano, independentemente de chegar ao conselho a denúncia de que algum paciente foi prejudicado”, diz a médica Graziela Bonin.

O que é o PMMA?

O PMMA é um material plástico transparente e somente pode ser comercializado se tiver registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Quando utilizado na estética, no formato injetável, apresenta-se como um gel com microesferas e funciona como um preenchedor definitivo facial e corporal.

Riscos

Com base nas posicionamentos das sociedades brasileiras de Cirurgia Plástica e Dermatologia, a relatora da resolução explicou que o PMMA pode desencadear uma reação inflamatória crônica.

“Por estar entremeado nos tecidos onde é injetado, o produto pode levar, ao longo do tempo, a reações inflamatórias crônicas, formação de granulomas, migração do material e hipercalcemia, além de doença renal crônica”, alertou Graziela.

A especialista acrescentou que o risco do uso para preenchimento corporal é diretamente proporcional ao volume injetado no paciente.

A médica detalhou a dificuldade em remover o produto do corpo do paciente após as reações. Ao exibir registros de cirurgias que exigiram a remoção de grandes áreas de tecido saudável, como gordura subcutânea e músculos, onde o material se infiltrou, Bonin demonstrou que esses procedimentos resultaram na mutilação de grandes áreas dos corpos de pacientes.

“É uma cirurgia muito mutilante. Não há outra forma de tratar. Às vezes, alguns imunossupressores muito potentes podem ser usados, mas o paciente está fadado a usá-lo ao longo da vida”, afirmou.

Exceções de uso médico

A única exceção para o uso de preenchimento prevista na resolução do CFM é para o tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV/aids devido aos antirretrovirais. Essa técnica de tratamento foi incorporada pelo Ministério da Saúde em 2004. Neste caso, o CFM autoriza a atuação médica somente em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em conformidade com os protocolos e diretrizes terapêuticas.

Banimento do PMMA

A conselheira ressaltou que, em janeiro de 2025, o CFM solicitou à Anvisa o banimento total da comercialização do PMMA como preenchedor. A motivação foram mortes provocadas pelo uso do PMMA por profissionais não médicos, como biomédicos e odontologistas.

Na ocasião, o CFM apresentou alternativas ao uso do PMMA, mas a agência reguladora, em nota técnica, afirmou que não via necessidade de intervenção no mercado naquele momento, devolvendo a responsabilidade aos conselhos profissionais.

Nesta segunda-feira (1º), o presidente do CFM anunciou sua intenção de se reunir com representantes da Anvisa para solicitar novamente a proibição do uso do PMMA, exceto no tratamento da lipodistrofia na rede pública. “Vamos marcar uma reunião com o presidente da Anvisa para sensibilizá-lo sobre esse produto, que deve ser banido das prateleiras do nosso mercado.”

Anvisa

Procurada pela Agência Brasil, a Anvisa declarou que o produto é seguro quando usado dentro das regras atuais. “Com base nas evidências disponíveis, concluiu-se que, quando utilizado conforme as indicações e under شرایط adequadas de uso, os produtos aprovados apresentam perfil de risco-benefício aceitável.”

A agência, portanto, rejeita medidas adicionais de restrição ao PMMA além das já implementadas.

“Desde 2022, a Anvisa reforça que o PMMA é para correções de defeitos na pele e volumetria por razões de saúde. Não há indicação para aumento de volume meramente estético”, informou em nota.

A Anvisa esclareceu que o produto é de uso exclusivo de profissionais de medicina.

“A indicação e a aplicação do PMMA devem ser restritas a profissionais médicos legalmente habilitados e devidamente treinados no procedimento, considerando os riscos e a necessidade de domínio anatômico e técnico.”

Atualmente, existem dois preenchedores intradérmicos à base de PMMA registrados no Brasil pela Anvisa: Linnea Safe, da empresa Lebon Produtos Farmacêuticos Ltda; e Biossimetric, da empresa MTC Medical Comercio Industria Importação e Exportação de Produtos Biomedicos Ltda.

Confira aqui as indicações de uso aprovadas no Brasil.

A Anvisa enfatiza que qualquer efeito indesejado reportado ou queixas técnicas devem ser notificadas ao órgão através do formulário online do Notivisa.

A notificação auxilia a agência em suas decisões sobre o produto e os procedimentos de uso.

Fonte: Agência Brasil

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Fábio Sakamoto
Fábio Sakamotohttps://dfnamidia.com.br
Jornalista MTB/DRT 0011561/DF, Desenvolvedor Web. Apaixonado por quadrinhos, filmes, séries e música.

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