InícioBrasilSaúdeDesafio dos bancos de leite: promover a doação de excedentes por lactantes

Desafio dos bancos de leite: promover a doação de excedentes por lactantes

A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano da Fundação Oswaldo Cruz (rBLH-BR/Fiocruz) realiza, de 18 a 21 de segunda-feira, o I Congresso da Rede Global de Bancos de Leite Humano, no Rio de Janeiro.

Com o tema “15 Anos Promovendo Equidade e Resiliência”, o evento celebra o 15º aniversário do Dia Mundial de Doação de Leite Humano e busca refletir sobre os avanços, desafios e perspectivas da mobilização mundial em favor da doação de leite humano, uma ação vital para a saúde de recém-nascidos prematuros e com baixo peso internados.

O Brasil conta com mais de 230 bancos de leite humano.

Rio de Janeiro (RJ), 15/05/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Doação de leite humano para bebês prematuros. Foto: BLH IFF/Fiocruz/Divulgação

Bebê prematuro recebe leite doado para banco de leite humano – Foto: BLH IFF/Fiocruz/Divulgação

Desafio

A coordenadora da rBLH e do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira, da Fiocruz (IFF/Fiocruz), Danielle Aparecida da Silva, destaca que o principal desafio é conscientizar as mulheres lactantes sobre a importância de doar o excesso de leite em vez de descartá-lo.

“É muito comum que mulheres que produzem leite em excesso descartem o que não é consumido pelos seus bebês. Precisamos aumentar a sensibilização da sociedade sobre a doação aos bancos de leite”, afirmou Danielle à Agência Brasil.

O banco de leite humano é um serviço de saúde que apoia as mulheres na amamentação e coleta a produção excedente. O leite doado passa por processamento e controle de qualidade, sendo destinado a recém-nascidos prematuros e com baixo peso ao nascer.

“Atualmente, não conseguimos atender 100% desses bebês, pois as doações são flutuantes ao longo do ano. Após o mês de maio, as doações caem consideravelmente”, explica.

A baixa nas doações é especialmente notável durante as férias e as festas de fim de ano.

O Banco de Leite do Instituto Fernandes Figueira registra, em alguns meses, entre 100 e 150 doadoras que produzem uma média mensal de 100 a 150 litros.

Com a chegada do inverno, doenças respiratórias aumentam, levando a mais internações de bebês, o que eleva a demanda, mas não a oferta de leite.

Danielle ressaltou que cada frasco de leite doado é muito mais que alimento; é um recurso terapêutico crucial que fortalece a imunidade e potencializa o desenvolvimento dos bebês, contribuindo para uma recuperação mais rápida.

Rio de Janeiro (RJ), 15/05/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Doação de leite humano para bebês prematuros. Foto: BLH IFF/Fiocruz/Divulgação
Rio de Janeiro (RJ), 15/05/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Doação de leite humano para bebês prematuros. Foto: BLH IFF/Fiocruz/Divulgação

Doação de leite humano para bebês prematuros – Foto: BLH IFF/Fiocruz/Divulgação

Doações

A doação de leite humano apresentou um aumento de 8%, mas Danielle considera que esse crescimento é insuficiente. “Precisamos de uma ampliação ainda maior”, afirma.

No Brasil, o Distrito Federal já alcançou a autossuficiência nas doações de leite humano. “Ou seja, coleta uma quantidade que atende 100% das necessidades dos bebês”.

O Rio Grande do Sul e Santa Catarina também estão avançando em direção à sustentabilidade nas doações, ao contrário das regiões Norte e Nordeste, onde a maioria dos estados possui apenas um banco de leite, exceto Amazonas e Pará.

No estado do Rio de Janeiro, há uma rede de 17 bancos de leite humano, com dois em Petrópolis e um em Nova Friburgo, na região serrana; um em Campos, no norte fluminense; um em Volta Redonda, no centro-sul; os demais estão localizados na capital e na região metropolitana.

Entretanto, não houve aumento no número de doações, segundo Danielle.

“As doações permaneceram estáveis e, em alguns meses, até diminuíram”.

Avanços

Danielle destaca que um dos avanços nos últimos 15 anos foi a adaptação da rede durante a pandemia de covid-19, que levou a um distanciamento geográfico.

“A rede se reinventou ao invés de o Ministério da Saúde lançar um slogan para o Dia Mundial, a própria rede lançou um edital aberto a toda a sociedade para a escolha do slogan”, explicou.

O edital foi divulgado em inglês, francês e espanhol e recebeu propostas dos cinco continentes.

“Desde a Argentina até a Índia”, completou a coordenadora da rBHL.

Uma votação popular definiu o slogan vencedor no primeiro ano da pandemia: ‘A pandemia trouxe mudanças; a sua doação traz esperança.’

Nos anos seguintes, as campanhas do ministério passaram a utilizar os slogans vencedores.

“O resultado foi tão positivo que o processo de escolha dos slogans anuais continua dessa forma até hoje”, afirmou Danielle. Em 2016, por exemplo, a vitória foi de um lema do Equador: ‘A solidariedade nutre e a vida cresce’.

Rio de Janeiro (RJ), 15/05/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Doação de leite humano para bebês prematuros. Foto: BLH IFF/Fiocruz/Divulgação
Rio de Janeiro (RJ), 15/05/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Doação de leite humano para bebês prematuros. Foto: BLH IFF/Fiocruz/Divulgação

Doação de leite humano para bebês prematuros – Foto: BLH IFF/Fiocruz/Divulgação

Referência

O Brasil tem contribuído com soluções inovadoras para bancos de leite humano há 40 anos, uma iniciativa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que tornou o país a maior e mais complexa Rede de Bancos de Leite Humano do mundo.

A atuação brasileira é reconhecida internacionalmente em saúde, por meio da cooperação dos ministérios da Saúde e das Relações Exteriores, e com a colaboração da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Fiocruz abriga o único Centro Colaborador da Opas/OMS para Bancos de Leite Humano (BRA-87), coordenando ações de qualificação de serviços e fortalecimento de redes em diversos países.

A primeira celebração do Dia Nacional de Doação de Leite Humano no Brasil ocorreu em 2004. A data de 19 de maio foi estabelecida como Dia Mundial de Doação de Leite Humano durante o V Congresso Brasileiro de Bancos de Leite Humano e o I Fórum de Cooperação Internacional em 2010.

Desde então, outros países adotaram a data, que visa estimular a doação, fomentar debates públicos e dar visibilidade à importância dos bancos de leite humano.

Congresso

Durante o congresso, serão abordados temas como os impactos da pandemia de covid-19, emergências sanitárias relacionadas às mudanças climáticas, crises humanitárias e como fortalecer as respostas globais em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente o ODS 3 (Saúde e Bem-estar).

A programação contará com a participação de especialistas, gestores públicos, organismos internacionais, pesquisadores e representantes da sociedade civil de diferentes países, consolidando um espaço para articulação, cooperação internacional e produção de conhecimento.

O congresso ocorrerá no Hotel Windsor Guanabara, no centro do Rio de Janeiro, em formato híbrido – via Zoom e transmissão pelo canal da rBLH no YouTube, a partir das 8h.

A programação está disponível na página da rBLH.

Fonte: Agência Brasil

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Fábio Sakamoto
Fábio Sakamotohttps://dfnamidia.com.br
Jornalista MTB/DRT 0011561/DF, Desenvolvedor Web. Apaixonado por quadrinhos, filmes, séries e música.

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