O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) protocolou nesta quarta-feira (8) uma ação civil pública contra a influenciadora digital Virgínia Fonseca e a plataforma de apostas Blaze.
O órgão solicita a condenação de ambos ao pagamento solidário de R$ 120 milhões em danos morais coletivos devido à divulgação abusiva do site de apostas.
Segundo a ação civil, Virgínia e a plataforma mantêm uma “engenharia predatória de exploração” para tirar proveito da vulnerabilidade dos apostadores.
O promotor de justiça Paulo Binicheski, responsável pelo caso, mencionou um exemplo de irregularidade, afirmando que Virgínia teria recebido cerca de 30% sobre as perdas dos apostadores que ela captou durante uma partida entre Argentina e Cabo Verde, válida pela Copa do Mundo.
“Em 3 de julho de 2026, durante a Copa do Mundo, a influenciadora Virginia Ellen Fonseca Serrão, então com 56,7 milhões de seguidores no Instagram, divulgou em seu perfil, por meio da ferramenta Stories, sem advertir claramente que era conteúdo publicitário”, declarou.
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Durante a investigação, servidores do órgão infiltraram-se na plataforma e realizaram cadastro para monitorar o sistema de apostas. Os investigadores concluíram que são utilizados e-mails promocionais que fazem promessas de vantagens.
A Promotoria de Defesa do Consumidor também registrou 42 mil reclamações contra a plataforma.
O promotor do caso ressaltou que as ações da influenciadora e da Blaze vão além da publicidade irregular.
“A divulgação de apostas por influenciadores, associada à falsa percepção de ganhos fáceis e à minimização dos riscos, pode estimular o comportamento compulsivo e contribuir para perdas milionárias causadas por consumidores”, afirmou.
Outro lado
A defesa de Virgínia Fonseca declarou que tomou conhecimento da ação do Ministério Público pela imprensa e que as alegações serão respondidas durante o processo.
O advogado Sanderson Mafra contestou a imputação de prejuízo aos consumidores e de atuação predatória.
“A defesa refuta as alegações manifestadas na ação, especialmente qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores. A responsabilização civil deve estar baseada em provas concretas, e não em presunções ou ilações decorrentes da condição de pessoa pública da influenciadora”, afirmou o advogado.
A plataforma Blaze informou que cumpre a legislação e as normas que regulamentam as apostas on-line, e que prestará os devidos esclarecimentos quando for notificada sobre o andamento da ação civil.
“Nossas operações e parcerias são sempre pautadas pelas melhores práticas de mercado, com foco absoluto na segurança de nossos usuários, seguindo princípios legais e normas aplicáveis, assim como com base nas diretrizes de jogo responsável”, declarou.
Fonte: Agência Brasil

