InícioBrasilDireitos HumanosOrganizações indígenas acusam Congresso de violar direitos constitucionais

Organizações indígenas acusam Congresso de violar direitos constitucionais

Em carta de abertura do Acampamento Terra Livre, em Brasília, organizações indígenas criticam o Congresso Nacional por tratar os direitos constitucionais dos povos originários como “moeda de troca” em negociações com o agronegócio e a mineração.

“Repudiamos que o Congresso Nacional funcione como uma máquina de retrocesso, atuando como inimigo dos povos [indígenas], produzindo ataques cotidianos às nossas vidas e submetendo nossos direitos a um balcão de negócios”, afirmam as entidades.

O Acampamento Terra Livre (ATL 2026) reúne, em Brasília, milhares de indígenas desde domingo (5).

Brasília (DF) 07/04/2026 - Indígenas de todo o país realizam marcha em Brasília em defesa de seus direitos Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Indígenas de todo o país marcham em Brasília em defesa de seus direitos – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

“Transformaram a casa do povo em uma casa de apostas, querem fazer uma bet do Congresso Nacional, onde os nossos direitos viram moeda de troca entre parlamentares e setores privados, e empresas e corporações nacionais e estrangeiras lucram sobre as nossas vidas”, afirmam as organizações.

Assinada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e por outras sete entidades, a carta critica o Executivo, Legislativo e o Judiciário, especialmente o governo federal, pela demora na definição das áreas da União destinadas ao usufruto exclusivo indígena.

De acordo com a Constituição de 1988, a demarcação das terras indígenas deveria ser concluída em até cinco anos de sua promulgação, ou seja, até 1993.

Brasília (DF) 07/04/2026 - Indígenas de todo o país realizam marcha em Brasília em defesa de seus direitos Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Indígenas de todo o país protestam em Brasília em defesa de seus direitos – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

“A demarcação tímida de poucas terras indígenas descumpre o compromisso político de garantir todos os nossos territórios”, apontam as entidades indígenas.

Elas sustentam que a “omissão” do Estado tem gerado um clima de insegurança, com crescentes casos de violência, invasões de áreas indígenas homologadas, demarcadas ou reivindicadas, e exploração ilegal de recursos naturais.

“A União tem a obrigação de demarcar e proteger os territórios e as vidas indígenas, além de garantir a consulta livre, prévia e informada. Exigimos ação concreta para a regularização fundiária, a proteção territorial e o respeito à autonomia e ao protagonismo dos nossos povos”, defende as entidades.

Apesar disso, as organizações reconhecem avanços, como a criação do Ministério dos Povos Indígenas e a homologação de 20 terras entre janeiro de 2023 e novembro de 2025, após um hiato de quatro anos sem a criação de novas áreas.

“A presença indígena nos espaços institucionais avançou como resultado direto da nossa luta”, destacam, mencionando lideranças em órgãos responsáveis por políticas públicas e o aumento de representantes no Congresso, assembleias e câmaras municipais.

“[Ainda assim] Nossos inimigos históricos avançam por diferentes caminhos, praticando crimes para diminuir nossos direitos originários. Buscam travar as demarcações e afrouxar as regras do licenciamento ambiental, abrindo espaço para empreendimentos como mineração e infraestruturas”, denunciam.

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O Acampamento Terra Livre, a maior mobilização do movimento indígena no Brasil, começou no domingo e segue até sábado (11), no Eixo Cultural Ibero-Americano, no centro de Brasília.

A expectativa é que entre 7 mil e 8 mil pessoas, entre indígenas e não indígenas, participem do evento.

Brasília (DF) 07/04/2026 - Indígenas de todo o país realizam marcha em Brasília em defesa de seus direitos Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Indígenas de todo o país participam, em Brasília, do Acampamento Terra Livre – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Nova política

Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) ressaltou que a criação da pasta, em 2023, permitiu que indígenas ocupassem cargos decisórios, conforme reconhecido pelo próprio movimento.

“A criação do MPI foi uma ruptura da visão tutelar que há décadas orientou a política indigenista”, afirma o ministério.

As decisões sobre os direitos e as necessidades dos mais de 391 povos indígenas brasileiros agora são tomadas por pessoas que entendem suas demandas e desafios.

“As ações do MPI nos últimos três anos contribuíram para recuperar direitos e políticas desmanteladas na década anterior”, destaca.

Entre as principais ações do MPI para garantir os direitos dos povos originários está a homologação de 20 territórios indígenas, totalizando cerca de 2,5 milhões de hectares de terras protegidas em 11 estados.

Fonte: Agência Brasil

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Fábio Sakamoto
Fábio Sakamotohttps://dfnamidia.com.br
Jornalista MTB/DRT 0011561/DF, Desenvolvedor Web. Apaixonado por quadrinhos, filmes, séries e música.

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