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Festa Junina da Psiquiatria do Hospital de Base Combate Estigmas

“Olha a chuva! É mentira!” O canto característico das festas juninas ressoou pela ala de psiquiatria do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) nesta sexta-feira (26). O dia ensolarado e o clima ameno criaram o ambiente ideal para um arraiá repleto de canjica, bolos, música, dança e, acima de tudo, acolhimento, humanização e muitos sorrisos.

A festa, organizada pela equipe de psiquiatria em colaboração com o Serviço Auxiliar de Voluntários (SAV), proporcionou um momento de convivência entre pacientes, familiares, profissionais de saúde e colaboradores do hospital.

“Muitas vezes, oportunidades como essa representam um primeiro passo para uma recuperação bem-sucedida”

Sérgio Cabral Filho, chefe do Núcleo de Saúde Mental do HBDF

Sérgio Cabral Filho, chefe do Núcleo de Saúde Mental do HBDF, enfatiza que atividades lúdicas e encontros coletivos são fundamentais para o tratamento dos pacientes. “É como se eles pudessem esquecer, por um momento, que estão internados. Muitas vezes, oportunidades como essa representam um primeiro passo para uma recuperação bem-sucedida”, afirma.

A presidente do SAV, Vandelícia Dias, acrescenta que, além da diversão, a festa busca proporcionar uma sensação de normalidade aos pacientes. “É um momento em que eles podem se sentir iguais a todo mundo, sem o estigma associado ao transtorno mental”, observa. “Trouxemos roupas típicas para que pudessem se arrumar, deixando de lado a roupa hospitalar. É uma oportunidade para todos se sentirem felizes”, comemora.

Cuidado integrado

Durante o arraiá, os pacientes dançaram quadrilha, brincaram com estalinhos e aproveitaram música ao vivo em um ambiente leve e descontraído. O psicólogo Igor Santiago destaca que experiências de socialização são essenciais para a saúde mental.

“Este tipo de celebração cria oportunidades de interação, permitindo que todos conversem e construam vínculos como pessoas, e não apenas como profissionais e pacientes.”

Igor Santiago, psicólogo

“Embora a internação seja necessária, ela rompe a rotina e o convívio social dos pacientes. Esse tipo de celebração cria oportunidades de interação, permitindo que todos conversem e construam vínculos como pessoas”, explica Santiago.

As festas juninas também despertam lembranças afetivas. Segundo a assistente social Lara Nunes Limberger, o evento foi planejado para transmitir acolhimento e cuidado em cada detalhe. “A alimentação tem um papel muito importante. Geralmente, as dietas dos pacientes seguem orientações específicas, mas hoje puderam experimentar diferentes comidas típicas e isso os deixa muito felizes”, comenta.

O paciente Mário Silva (nome fictício), internado na unidade, disse que aguardava ansiosamente pela comemoração. “Já comi salgado, canjica e várias outras coisas. A decoração está linda, a música está ótima e a dança foi muito divertida. Estou muito satisfeito, foi maravilhoso”, celebra.

Atenção em todos os detalhes

Equipe da Psiquiatria: oficinas terapêuticas para que os pacientes ajudassem a confeccionar bandeirinhas com papéis coloridos

A festa foi realizada de forma colaborativa. Os alimentos foram preparados pelos colaboradores e por familiares dos pacientes, que também foram convidados. A decoração recebeu atenção especial; oficinas terapêuticas foram promovidas para que os pacientes ajudassem a confeccionar bandeirinhas coloridas.

“A equipe de psiquiatria e os voluntários estão fazendo de tudo para integrar todos. É um momento de união, paz e amor. É muito gratificante ver isso acontecendo”

Simone, mãe de uma paciente internada

Uma réplica de uma igreja antiga e cactos foi feita manualmente, enquanto os ramos de milho que ornamentaram o caminho foram plantados e colhidos pelos próprios pacientes na horta cultivada por eles.

Vandelícia destaca que a participação na montagem alegra os pacientes. “Eles passaram dias ajudando a preparar tudo e estavam ansiosos para ver o resultado final. Agora podem perceber que o esforço de cada um deixou nossa festa ainda mais bonita”, ressalta.

Festa para todos

O arraiá foi aberto a todos que desejavam participar. Familiares compareceram para prestigiar a celebração, aproveitar as comidas típicas e dançar quadrilha ao lado dos pacientes.

Simone, mãe de uma paciente, relata os benefícios visíveis para sua filha. “Isso está fazendo muito bem para ela. A equipe de Psiquiatria e os voluntários têm se esforçado para integrar todos. É um momento de união, paz e amor. É muito gratificante ver isso acontecendo”, agradece.

Os organizadores ressaltam que manter a festa aberta aos colaboradores e familiares ajuda a desconstruir preconceitos relacionados aos serviços de saúde mental. “É uma oportunidade para que as pessoas entendam que a realidade é muito diferente daquela retratada em filmes e novelas. Aqui é um lugar de acolhimento”, enfatiza Vandelícia. “É crucial que todos percebam que não precisam ter medo e podem conviver e confraternizar normalmente com os nossos pacientes”, conclui Sérgio.

*Com informações da IgesDF

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Fábio Sakamoto
Fábio Sakamotohttps://dfnamidia.com.br
Jornalista MTB/DRT 0011561/DF, Desenvolvedor Web. Apaixonado por quadrinhos, filmes, séries e música.

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