A busca pelo “corpo perfeito”, impulsionada por padrões estéticos dominantes nas redes sociais, tem levado ao aumento dos transtornos alimentares e ao sofrimento relacionado à imagem corporal.
“Não é apenas uma questão estética, é um fenômeno social. O corpo influencia como as pessoas são tratadas e valorizadas pela sociedade”
Natália Barreto, assistente social do IgesDF
Para fomentar o debate e aprimorar a formação dos profissionais de saúde, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), através da Diretoria de Inovação, Ensino e Pesquisa (Diep), realizou, em 19 de outubro, mais uma edição do projeto Educa em Ação, com o tema “A ditadura do corpo perfeito e os transtornos alimentares”.
O encontro ocorreu em formato híbrido, com atividades presenciais no auditório da Diep e transmissão ao vivo pelo canal do IgesDF no YouTube. A programação contou com a participação do nutricionista clínico e esportivo Ramon Batista e da assistente social Natália Barreto, que discutiram os impactos físicos, emocionais e sociais dos transtornos alimentares e a importância da atuação multiprofissional no cuidado aos pacientes.
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Educação permanente
O enfermeiro Maxsuel Dias, da Diep, enfatizou que iniciativas de educação permanente são cruciais para melhorar a assistência e promover uma abordagem mais humanizada. “É essencial conscientizar nossos colaboradores e investir em educação em saúde sobre esse tema. Precisamos deixar de reproduzir estereótipos e aprender a enxergar o paciente para além do transtorno, compreendendo sua história, suas dificuldades e suas necessidades”, afirma.

Entre os transtornos alimentares mais conhecidos estão a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e a compulsão alimentar periódica. Embora muitas pessoas associem essas doenças apenas à magreza extrema, elas podem afetar indivíduos com perfis variados. O diagnóstico precoce, aliado ao acolhimento e ao acompanhamento especializado, é fundamental para a recuperação e melhoria da qualidade de vida.
O nutricionista Ramon Batista ressaltou que entender a complexidade desses transtornos é vital para um cuidado eficaz. “Muitos pacientes lidam com a distorção da imagem corporal, uma condição que provoca sofrimento emocional significativo e precisa ser acolhida durante todo o processo de tratamento”, destaca.
A assistente social Natália Barreto, por sua vez, enfatizou a importância de considerar os fatores sociais que influenciam a relação das pessoas com o corpo e a alimentação. “Não é apenas uma questão estética, é um fenômeno social. O corpo influencia como as pessoas são tratadas e valorizadas pela sociedade”, declara.
Atendimento especializado no SUS
No Distrito Federal, o Hospital de Base, gerido pelo IgesDF, é a única unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) com um ambulatório dedicado ao atendimento de pessoas com transtornos alimentares.
O serviço conta com uma equipe integrada de psiquiatras, psicólogos e nutricionistas, oferecendo acompanhamento individualizado aos pacientes. O acesso é feito por meio de encaminhamento médico, tanto da rede pública quanto da privada, para agendamento de consultas de avaliação.
*Com informações do IgesDF

