Cerca de 30 mil crianças com malformações cardíacas nascem anualmente no Brasil, conforme o Ministério da Saúde. Nesta sexta-feira (12), comemora-se o Dia Nacional de Conscientização sobre a Cardiopatia Congênita. Renata Mattos, coordenadora da Divisão de Cardiologia da Criança e do Adolescente do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), afirma que o acesso ao diagnóstico está melhorando no país.
“Na Região Sudeste, temos mais acesso que na Região Norte, por exemplo. No entanto, de forma geral, observamos que o diagnóstico está sendo realizado e o acesso ao tratamento está melhorando”, comenta a cardiologista pediátrica e especialista em hemodinâmica de cardiopatias congênitas.
A condição, uma das principais causas de mortalidade infantil devido a malformações, exige diagnóstico precoce e acompanhamento especializado para aumentar as chances de sobrevivência e a qualidade de vida dos pacientes.
Globalmente, estima-se que cerca de 1% das crianças nascidas vivas apresentem algum tipo de cardiopatia, sendo que 30% desse total necessitam de atenção imediata na primeira infância.
Renata Mattos explicou à Agência Brasil que cardiopatia congênita abrange uma variedade de doenças, com diferentes níveis de gravidade.
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“Qualquer malformação no coração da criança ocorre durante a formação fetal, resultando em estruturas cardíacas anormais”.
Diagnóstico Fetal
A cardiologista esclarece que o diagnóstico durante a gestação pode possibilitar intervenções cirúrgicas em alguns casos, embora não seja comum essa indicação.
“Na maioria das vezes, o diagnóstico fetal serve para planejarmos o final da gestação e o parto”.
Se uma cardiopatia que requer tratamento imediato for identificada, o parto deve ser realizado em um local equipado com UTI. Em contrapartida, casos menos graves permitem uma gestação normal e o parto planejado.
Em situações críticas, a falta de tratamento nos primeiros dias de vida pode ser fatal. Já cardiopatias menos severas podem manifestar sintomas mais tarde.
Atenção aos Sinais
Se o bebê não for diagnosticado com uma cardiopatia grave ao nascer, os familiares devem estar atentos a sinais que podem indicar problemas cardíacos.
Durante consultas pediátricas, é vital verificar se a criança está crescendo e ganhando peso adequadamente.
“Dificuldades significativas para engordar podem indicar problemas cardíacos”, alerta a cardiologista.
Outros sinais incluem dificuldade para mamar, fadiga ao se alimentar, respiração acelerada ou cansativa, e, no caso de problemas de oxigenação, a presença de cianose na ponta do nariz e lábios.
Crianças mais velhas podem relatar dores no peito ou palpitações, possíveis indicadores de arritmias.
Vida Normal
A maioria das cardiopatias congênitas pode ser tratada com um único procedimento, mas alguns pacientes necessitam de várias cirurgias ao longo da vida.
“Com um diagnóstico adequado, as chances de uma vida normal são enormes”, enfatizou Renata Mattos.
É importante que os profissionais de saúde permaneçam atentos, já que, à medida que esses pacientes envelhecem, também enfrentam problemas comuns na vida adulta, como hipertensão e colesterol alto. A médica destaca que muitos pacientes com cardiopatias estão vivendo vidas normais, com acompanhamento médico. “No passado, acreditava-se que essas crianças não poderiam praticar esportes, mas incentivamos a atividade física atualmente”.
Três Cirurgias
Nathan Senna Alves foi diagnosticado com uma cardiopatia congênita grave ao nascer. Sua tia, enfermeira, o levou à Pró Criança Cardíaca, uma instituição dedicada a crianças com esses problemas de saúde há 30 anos.
“A doutora Rosa me acolheu desde o nascimento. Fiz meu acompanhamento todo e, aos 2 anos, precisei da primeira cirurgia. Esse lugar foi meu segundo lar”, recorda Nathan, hoje com 30 anos.
Ele passou por mais duas cirurgias, aos 6 e 18 anos, para a troca de válvulas do coração. “A cirurgia aos 18 anos coincidiu com meu aniversário, em 19 de maio”.
Nathan é casado, pai de um menino de 12 anos, e não enfrentou complicações após a última cirurgia. Atualmente, é tratado na Policlínica Piquet Carneiro, vinculada à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
A cardiologista pediátrica Rosa Célia, criadora do projeto, enfatiza a importância do acesso à saúde, ilustrado por histórias como a de Nathan.
“Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a cardiopatia congênita não precisa limitar a vida da pessoa”.
Nos últimos 30 anos, a instituição atendeu mais de 16 mil crianças e adolescentes, realizando 130 mil atendimentos e garantindo cuidados completos e gratuitos às famílias.
Acompanhamento no SUS
O Sistema Único de Saúde (SUS) fornece acompanhamento integral às crianças com cardiopatia congênita, desde o ecocardiograma no pré-natal até cirurgias complexas.
Os principais pilares de atuação e prevenção no Brasil incluem:
- Ecocardiograma Fetal: Exame recomendado entre a 24ª e 28ª semana de gestação para detectar anomalias antes do nascimento;
- Teste do Coraçãozinho (Oximetria de Pulso): Triagem neonatal obrigatória realizada entre 24 e 48 horas de vida para identificar precocemente cardiopatias críticas;
- Linha de Cuidado do SUS: Pacientes diagnosticados são encaminhados para a rede especializada, onde recebem tratamento clínico ou cirúrgico integralmente custeado pelo Sistema Único de Saúde.
Fonte: Agência Brasil

