“Foi um grande choque. A primeira coisa que passou pela minha cabeça foi que eu precisaria usar cadeira de rodas.” O medo de Marilene de Oliveira surgiu após episódios de formigamento nas mãos e nos pés. Após passar por diferentes atendimentos, recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF).
“Achei que pudesse ser ansiedade, mas queria entender o que estava acontecendo comigo”, relembra.
No dia 30 de maio, Dia Mundial de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, especialistas destacam a importância do diagnóstico precoce e do início rápido do tratamento, fundamentais para reduzir sequelas e retardar a progressão da doença. De acordo com o neurologista do HBDF, Ronaldo Maciel, o intervalo entre os primeiros sintomas e a confirmação do diagnóstico pode levar de cinco a sete anos, favorecendo o avanço da condição.
“A esclerose múltipla é a principal causa de incapacidade neurológica por causas não externas em jovens adultos no mundo”
Ronaldo Maciel, neurologista
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“Apesar de ser considerada uma doença rara, a esclerose múltipla tem grande impacto social e econômico, pois é a principal causa de incapacidade neurológica em jovens adultos”, explica.
Segundo o especialista, uma das principais dificuldades para identificar a doença está na variedade de sintomas apresentados. “A doença normalmente aparece entre os 20 e 40 anos e pode mimetizar sintomas de um acidente vascular cerebral (AVC). Como alguns sinais desaparecem, muitas pessoas acreditam que houve uma melhora espontânea e não buscam mais investigação até um novo surto”, detalha.
Tratamento e acompanhamento
Apesar de não haver cura, a esclerose múltipla possui tratamentos que controlam sintomas, reduzem surtos e retardam a progressão da doença. “Os impactos podem ser significativamente reduzidos com um tratamento adequado. É fundamental diminuir o tempo entre os primeiros sintomas e o diagnóstico”, reforça Ronaldo Maciel.
O Hospital de Base é referência no tratamento da esclerose múltipla no Centro-Oeste, acompanhando pacientes desde sua inauguração, há 66 anos. Em 2025, aproximadamente 1.200 atendimentos relacionados à condição foram realizados lá.
Além do acompanhamento com neurologistas, os pacientes do HBDF têm suporte multiprofissional, incluindo fisioterapeutas, oftalmologistas, psicólogos e outras especialidades.

Marilene afirma que, apesar do medo inicial, aprendeu a conviver com a doença. “O médico me explicou que não era uma sentença de morte. Mudei hábitos, cuidei mais da alimentação e pratiquei exercícios. Assim, acordo todos os dias e sigo com a minha vida, mesmo que seja uma rota diferente da que eu achava antes”, relata.
Entenda a doença
A esclerose múltipla é uma doença inflamatória autoimune que afeta o sistema nervoso central, onde o sistema imunológico agride estruturas responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos, comprometendo a comunicação entre cérebro e corpo.
Entre os principais sintomas estão fraqueza muscular, tremores, fadiga, alterações na fala, na visão, nos movimentos e na cognição.
Os sintomas podem surgir de forma temporária e variar em intensidade. Não há consenso científico sobre suas causas, mas fatores genéticos e ambientais estão relacionados ao desenvolvimento da condição. Sem acompanhamento adequado, a doença pode evoluir progressivamente, comprometendo a autonomia dos pacientes ao longo do tempo. “O impacto na qualidade de vida é significativo, especialmente porque a doença se desenvolve na juventude, afetando a autonomia e a vida profissional”, destaca o neurologista.
Em casos de sintomas persistentes, como formigamentos, alterações motoras, perda de força, dificuldades visuais ou tremores, recomenda-se procurar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Após a avaliação clínica, o paciente poderá ser encaminhado ao Hospital de Base.
*Com informações do IgesDF

